Veneza, Itália. Muitos peixes se reúnem nos canais por várias razões naturais.
Concentração de Tainhas em Canais de Veneza Revela Estratégia de Sobrevivência Térmica
Editado por: Tetiana Martynovska 17
Relatórios recentes confirmam a presença notável de cardumes de tainhas, pertencentes à família Mugilidae, aglomerando-se nos canais urbanos da cidade metropolitana de Veneza durante o período de frio intenso. Este fenômeno biológico, que se intensifica nos meses de inverno europeu, constitui uma estratégia de sobrevivência essencial para a espécie, que busca ativamente as águas dos canais por oferecerem temperaturas ligeiramente mais amenas em comparação com as águas mais frias da lagoa aberta circundante.
Especialistas em ecologia aquática sublinham que a causa primária dessa concentração de vida marinha é estritamente ecológica: a necessidade imperativa de abrigo contra as baixas temperaturas ambientais e a redução da pressão predatória encontrada em águas mais abertas. Pesquisadores utilizam esses ajuntamentos anuais, que ocorrem com precisão biológica notável em janeiro e fevereiro, para estudar a dinâmica da fauna aquática local. A capacidade das tainhas de suportar variações na salinidade permite que elas se adaptem com eficácia ao ambiente aquoso dos canais, transformando-os em um porto seguro temporário durante o auge do inverno.
Adicionalmente à proteção térmica, a busca por fontes de alimento é um fator motivador significativo, visto que os canais urbanos acumulam detritos orgânicos que servem como base alimentar para esses peixes. O ecossistema de Veneza, construído sobre fundações de madeira há mais de 1.600 anos, é reconhecido como particularmente suscetível às flutuações ambientais e aos impactos das atividades humanas. A análise desses movimentos populacionais reforça a necessidade de monitoramento rigoroso da saúde do ecossistema lagunar, prevenindo potenciais desregulações na biodiversidade regional.
Embora a migração seja um ciclo natural, a escala observada em certas ocasiões sugere a influência de fatores ambientais contemporâneos, como as alterações climáticas globais, que afetam o comportamento das espécies marinhas. O fenômeno da migração de tainhas serve, portanto, como um indicador biológico da resposta da fauna às condições térmicas sazonais. Em contraste, períodos de estiagem, como os registrados em fevereiro de 2023, causaram marés baixas extremas, impedindo a navegação de embarcações. Cientistas ambientais, como Jane Da Mosto, analista da “We Are Here Venice”, apontam que marés ultrabaixas no inverno são frequentemente resultado da combinação de alta pressão atmosférica, ciclo lunar e escasso derretimento da neve alpina, evidenciando a complexidade dos desafios hídricos da cidade.
A atenção dada a este evento, que atrai a curiosidade de turistas e o interesse técnico de instituições de pesquisa, destaca a interconexão entre a vida selvagem e o ambiente urbano veneziano. A gestão contínua da rede de canais internos, inclusive em relação à limpeza, é um ponto levantado por grupos de defesa ambiental. A observação contínua desses eventos ajuda a construir um panorama mais completo sobre a resiliência e as vulnerabilidades do delicado ecossistema lagunar veneziano.
Fontes
Video: ultime notizie - Corriere TV
La Nuova Venezia
Corriere del Veneto
Unive - Ca' Foscari
ResearchGate
Comune di Venezia