Lago Natron da Tanzânia: Química Extrema Sustenta Vida de Flamingos Após Suspensão de Mineração

Editado por: Tetiana Martynovska 17

O Lake Natron, no norte da Tanzânia, pode transformar animais em pedra.

No norte da Tanzânia, adjacente à fronteira com o Quênia, localiza-se o Lago Natron, uma formação aquática notável por sua intensa tonalidade carmesim e suas propriedades químicas extremas. Este lago alcalino, cuja área superficial varia tipicamente entre 600 e 800 km², podendo atingir um máximo de 1040 km², estabeleceu-se geologicamente há cerca de 1,5 milhão de anos, resultado de processos de rifte vulcânico. O vizinho Ol Doinyo Lengai, conhecido pelos Maasai como a "Montanha de Deus", injeta carbonato de sódio e outros minerais nas águas do lago através de fontes termais subterrâneas.

O corpo hídrico funciona como uma bacia terminal, sem escoamento para rios ou oceanos, o que resulta na acumulação progressiva de sais. Durante o verão, a temperatura da água pode alcançar 60°C, e seu nível de pH oscila entre 10,5 e 12, criando um ambiente cáustico. Essa química corrosiva é acentuada pela proliferação de microrganismos adaptados a ambientes salinos, como as haloarqueias e as cianobactérias, que conferem a cor vermelho-sangue às águas mais profundas. O ambiente extremo induz a calcificação, um processo que envolve o envolvimento de carne dessecada por crostas semelhantes a pedra, um efeito conservante natural facilitado pela alta concentração de carbonato de sódio.

Apesar de sua letalidade para muitas formas de vida — criaturas sucumbem ao confundir a superfície refletiva com solo sólido e sofrer desidratação severa —, o Lago Natron é um baluarte ecológico crucial. Ele serve como o único local de reprodução confiável em toda a África Oriental para o Flamingo-pequeno (Phoenicopterus minor), espécie classificada como 'Quase Ameaçada' pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). As florações de cianobactérias constituem a fonte alimentar primordial para os milhões de flamingos que ali estabelecem seus ninhos, um evento que ocorre tipicamente entre agosto e outubro.

O reconhecimento internacional da importância deste ecossistema foi formalizado com a designação do Lago Natron como um Sítio Ramsar de Importância Internacional em 2001. Em um desenvolvimento recente, em agosto de 2025, o governo da Tanzânia suspendeu um projeto de mineração de barrilha em larga escala, proposto pela Ngaresero Valley Company Ltd, que visava uma produção anual de 660.000 toneladas métricas. A decisão seguiu quatro meses de defesa por parte de organizações como a Nature Tanzania e comunidades locais, que alertaram que a extração industrial desestabilizaria a hidrologia delicada do lago e desalojaria cerca de 65.000 pessoas Maasai.

O Vice-Ministro de Minas, Stephen Kiruswa, reafirmou que apenas a coleta superficial tradicional de barrilha ao longo da margem é permitida, garantindo a preservação do sítio, que sustenta entre 1,5 e 2,5 milhões de flamingos, aproximadamente três quartos da população global da espécie. Esta vitória da conservação, celebrada por entidades como a Tanzania Association of Tour Operators, sublinha a priorização do capital natural e do ecoturismo sobre projetos extrativos. A história do lago, que já havia frustrado tentativas de mineração anteriores, como a da Tata Chemicals em 2008, reafirma a importância do equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a salvaguarda da biodiversidade única da África Oriental.

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Fontes

  • The Times of India

  • Times Now

  • Business Today

  • The Times of India

  • Brilliant Africa

  • Vajiram & Ravi

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