O que aconteceu no sétimo jogo entre o Montreal e o Tampa desafia a lógica tradicional do hóquei. Imagine: a sua equipa faz apenas nove remates à baliza em 60 minutos, passa um período inteiro (o segundo) sem um único remate, mas acaba por celebrar a vitória e o apuramento. Não se trata apenas de sorte — é o triunfo de uma eficácia extremamente cínica.
Os Lightning dominaram física e posicionalmente, efetuando o triplo dos remates do adversário. Contudo, o erro sistémico de Jon Cooper residiu num excesso de academicismo. Detendo uma vantagem avassaladora, o Tampa tentou construir jogadas até à certeza do golo, enquanto os Canadiens bloquearam 24 remates e transformaram a zona em frente à sua baliza numa fortaleza inacessível.
O herói da noite foi Jakub Dobeš. O guarda-redes estreante checo demonstrou uma frieza habitualmente reservada a veteranos com três anéis de campeão. A sua exibição permitiu ao Montreal esperar pelas suas raras oportunidades. Nick Suzuki e Alex Newhook concretizaram quase tudo o que a equipa criou, punindo o Tampa por um momento de desconcentração defensiva.
A vitória do Montreal por 2-1 é um sinal para toda a liga. Numa era de estatísticas avançadas e métricas de golos esperados (xG), os "Habs" provaram que o controlo da qualidade dos remates é mais importante do que a quantidade. A longo prazo, isto poderá levar os treinadores a reconsiderar a tática de remates em volume em favor de uma marcação mais cerrada aos líderes em momentos cruciais.
Conseguirá o Montreal manter este nível anómalo de eficácia na série contra Buffalo? Se Dobeš continuar a jogar ao nível de um vencedor do troféu Vezina, teremos mais do que uma surpresa esta primavera.



