Física da Cocção de Bife: Difusão Térmica Define Consistência Culinária
Editado por: Olga Samsonova
A elaboração de um bife no ponto ideal transcende a habilidade empírica, assentando-se em princípios da física, notadamente a difusão térmica. Pesquisas recentes validam que a compreensão da propagação do calor na matriz proteica da carne se alinha a conceitos explorados em estudos fundamentais, inclusive aqueles relacionados ao trabalho de Albert Einstein sobre o tema. Essa abordagem científica converte o preparo culinário de um exercício de adivinhação em uma ciência de processos controlados, visando a consistência dos resultados.
O físico Rob Appleby, da Universidade de Manchester, cuja formação abrange física e gastronomia, demonstrou que a espessura do corte de carne é o fator isolado de maior influência na determinação do tempo necessário para atingir o ponto desejado. O modelo estabelecido por Appleby indica que o tempo de cozimento requerido escala proporcionalmente ao quadrado da espessura do bife. Este princípio explica a ocorrência comum de carbonização externa antes que o calor consiga permear adequadamente o núcleo da peça, pois duplicar a espessura pode, teoricamente, quadruplicar o tempo de exposição ao calor para garantir a penetração térmica uniforme.
O controle preciso da cocção, agora fundamentado em modelos matemáticos, permite que estabelecimentos de alta gastronomia integrem previsões de tempo baseadas na espessura com o uso de termômetros de temperatura de alta precisão. A condutividade térmica, que mede a capacidade de um material em difundir calor, é um parâmetro chave, sendo vital a compreensão da transferência de calor — por condução, convecção ou radiação — para otimizar a qualidade do produto final na grelha ou forno.
Para bifes mais grossos, como os de 3 cm ou mais, métodos que combinam calor direto e indireto são frequentemente recomendados para evitar o superaquecimento da superfície antes que o centro atinja temperaturas seguras, como 70°C para bem-passado. Em contraste, métodos práticos como a regra 3-3-2-2, aplicável a cortes de 1,5 a 2,5 cm, focam no tempo de exposição para otimizar a Reação de Maillard, essencial para a crosta, seguida por um período de descanso de 5 minutos para redistribuição dos sucos. Contudo, mesmo esses métodos práticos reconhecem a limitação do tempo fixo, pois um bife de 1 cm cozinha significativamente mais rápido do que um de 3 cm, reforçando a primazia da dimensão física sobre o cronômetro.
A aplicação rigorosa desses parâmetros físicos, como a difusividade térmica, é crucial em toda a indústria de processamento de alimentos, conforme demonstrado em estudos sobre a carne de frango, onde as propriedades termofísicas são investigadas para otimizar processos de esterilização. A temperatura interna final, monitorada por termômetros, permanece o indicador definitivo do ponto, com o ponto médio para carne bovina tipicamente situado entre 57°C e 60°C, sendo o descanso pós-cocção mandatório para a preservação da suculência. Assim, a ciência da difusão térmica estabelece a fundação para que cozinheiros e chefs alcancem resultados previsíveis e consistentes, elevando a arte de grelhar a um patamar de engenharia culinária.
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Fontes
Conteúdo e Notícias do Agronegócio Brasileiro | CompreRura
Crave Magazine
Grilling 24x7
The MeatStick
Food52
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