A Transição de Espessantes Convencionais para Naturais na Culinária: Impacto na Digestão
Editado por: Olga Samsonova
O método tradicional de engrossar pratos, utilizando o roux — uma mistura de farinha e gordura — introduz um desafio para o sistema digestivo devido ao amido que fica encapsulado nesse processo. Esta técnica clássica, empregada há séculos em molhos e sopas, está sendo progressivamente substituída por alternativas mais saudáveis e funcionais que se integram melhor à estrutura do alimento. A ciência culinária contemporânea foca na utilização de ingredientes já presentes na receita para alcançar a consistência desejada, marcando uma clara mudança para texturas nutricionalmente mais ricas e de fácil assimilação pelo organismo.
Uma das abordagens naturais mais eficazes para conferir espessura é o processo de purê. Chefs e cozinheiros podem triturar uma porção dos vegetais ou leguminosas previstos na receita até formar um creme e reincorporá-lo à base do prato. Este procedimento não só garante a densidade necessária, mas também preserva as vitaminas e fibras originais, elevando o perfil nutricional. Adicionalmente, vegetais amiláceos como batatas ou cenouras, quando ligeiramente cozidos demais ou amassados, podem funcionar como espessantes naturais para sopas e ensopados, eliminando a necessidade de adicionar componentes extras que poderiam tornar o prato mais pesado.
Grãos e cereais, como arroz, cevada e milheto, possuem notáveis capacidades de espessamento devido à liberação de mucilagem durante o cozimento. A cevada em grão e o trigo sarraceno (trigo mourisco) são historicamente utilizados na culinária eslava para dar corpo a mingaus e caldos, alinhando-se ao índice glicêmico (IG) baixo de ≤55, característico dos grãos integrais. A aveia em flocos e o farelo, por sua vez, não apenas aumentam a viscosidade, mas também enriquecem o alimento com fibra alimentar, um fator crucial para a saúde intestinal.
O feijão-verde (ervilha fresca) merece destaque especial por seu alto teor de proteína e fibra. A ervilha fresca exibe um índice glicêmico baixo, situando-se na faixa de 35.0 a 40.0, e possui uma carga glicêmica (CG) de apenas 4.5, o que é altamente benéfico para o equilíbrio metabólico. Em uma porção de 100 gramas do produto fresco, encontramos 73.0 kcal, 5.0 gramas de proteína e 12.8 gramas de carboidratos. Estes dados ilustram como um ingrediente comum pode ser um agente espessante superior e mais saudável.
Em contrapartida aos métodos naturais, a farinha convencional contém o glúten — um complexo proteico formado por gliadinas e gluteninas, isolado pela primeira vez por Jacopo Bartolomeo Beccari em 1728. O glúten confere elasticidade às massas e pode representar até 10–15% do peso seco de produtos de panificação. Contudo, para cerca de 1% da população que sofre de doença celíaca, a ingestão de glúten desencadeia sérios problemas digestivos. É importante ressaltar, conforme apontam especialistas, que o glúten, por si só, não é o fator determinante para o ganho de peso quando inserido em um regime alimentar equilibrado.
No âmbito da engenharia de alimentos industrial e especializada, os hidrocoloides são amplamente empregados para controlar as propriedades reológicas dos produtos, independentemente da presença de amido ou glúten. A goma xantana, um polissacarídeo de origem microbiana, é frequentemente incorporada em molhos e sopas, figurando também em misturas específicas, como o suplemento Nutrien Disfagia (370 g), formulado para indivíduos com dificuldades de deglutição. Estes espessantes de grau industrial, juntamente com alternativas naturais como a pectina extraída de frutas ou o ágar-ágar derivado de algas marinhas, permitem um controle preciso sobre a textura e as características sensoriais finais do alimento.
Fontes
Krstarica
Krstarica
Health Cleveland Clinic
novi.ba
Skinny Roux
BBC Good Food
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