Cozinha Molecular Revitaliza Tradições Gastronômicas da Sicília: Análise em Enna
Editado por: Olga Samsonova
A Delegação da Accademia Italiana della Cucina (Academia Italiana de Culinária) na província de Enna realizou um estudo aprofundado sobre o papel da cozinha molecular como catalisador para a renovação do patrimônio gastronômico local. Este encontro na Sicília serviu de palco para confrontar a rica tapeçaria histórica da culinária regional com os avanços científicos mais recentes, sempre mantendo um profundo respeito pelos sabores autênticos sicilianos. Iniciativas como esta sublinham a ambição de preservar a identidade cultural enquanto se abraçam abordagens contemporâneas na prática culinária.
Um exemplo marcante dessa fusão ocorreu durante o jantar de Natal em dezembro de 2024, que reuniu mais de 60 participantes. Sob a liderança de Marina Tagliavone e Fabio Montesano, a Delegação reforçou o papel da Academia na difusão da cultura culinária, homenageando produtores do queijo local, o Piacentinu ennese, com o prêmio Dino Villani. Os chefs apresentaram um menu construído sobre ilusões sensoriais, demonstrando como os princípios científicos podem impulsionar a arte da gastronomia. Entre as criações vanguardistas estavam o “ovo em folha de ouro” e o “leitão preto em crosta verde”, que reinterpretaram receitas clássicas através da lente dos processos físico-químicos.
A Simposiarca Maria Rosa Platino, ao inaugurar o evento no restaurante Garden, em Perugia, salientou que a gastronomia molecular não visa apagar as raízes regionais, mas sim transformá-las com rigor científico. Ela enfatizou que “inovação significa transformação e releitura com respeito; é uma ponte entre o saber manual e a ciência”. A mensagem central do encontro foi clara: as inovações culinárias estabelecem um elo robusto entre o trabalho artesanal tradicional e a compreensão científica dos processos, garantindo a vitalidade da cultura gastronômica por meio da evolução de seus pilares tradicionais. A delegada Tagliavone afirmou categoricamente que a cozinha precisa “respirar e evoluir”, e não se tornar um “museu estático”.
Historicamente, a gastronomia molecular, cuja gênese remonta ao primeiro Ateliê Internacional em Erice, Sicília, em 1990, sempre buscou um diálogo fecundo com a tradição. O físico e gastrônomo Hervé This, um dos fundadores da disciplina, juntamente com o laureado com o Prêmio Nobel Pierre-Gilles de Gennes, estabeleceram as bases para investigar as características físico-químicas dos alimentos, visando a criação de novas texturas e paladares. O menu concebido pelos chefs Angelo Di Dio, Sebastiano D’Urso e Angelo Laurino incluiu raviólis de abóbora com salsicha de açafrão e a sobremesa “Dolce Alchimia”. Tais pratos foram harmonizados com os vinhos Firriato Saint Germain Brut e Vino PatriNobile Cerasuolo di Vittoria, cuidadosamente selecionados para acentuar os matizes aromáticos.
Em suma, o evento realizado em Enna, conduzido por Marina Tagliavone, evidenciou como a identidade culinária siciliana, moldada por influências gregas, árabes e espanholas ao longo dos séculos, pode ser enriquecida por métodos científicos modernos. Este processo permite manter a conexão emocional e cultural com o território, confirmando a necessidade de uma atualização constante, mas sempre respeitosa, do legado gastronômico da ilha.
Fontes
vivienna - vivisicilia
Dedalomultimedia
Virgilio
Enna Press
Accademia Italiana della Cucina
ViviEnna.it
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