Osmolalidade Sanguínea em Mamíferos Selvagens Sinaliza Estresse Fisiológico por Aquecimento Global

Editado por: Tetiana Martynovska 17

Pesquisas ecológicas recentes estabeleceram a osmolalidade do sangue como um parâmetro fisiológico preciso para quantificar a tensão em mamíferos selvagens confrontados com as repercussões das alterações climáticas. Este avanço metodológico permite uma avaliação integrada da hidratação e do estresse ambiental, um fator crucial para a conservação em ecossistemas sob pressão crescente. Temperaturas ambientes elevadas e a diminuição das chuvas, características do aquecimento global, expõem diversas espécies a condições estressantes que afetam seu equilíbrio físico.

Um estudo de campo aprofundado, que utilizou dados coletados ao longo de uma década, focou especificamente nos camundongos listrados africanos (*Rhabdomys pumilio*) que habitam a região semiárida do Karoo Suculento, na África do Sul. Esta área é caracterizada por invernos frios e úmidos, contrastando com verões quentes e secos, períodos em que os recursos alimentares se tornam escassos. Os pesquisadores, incluindo Carsten Schradin, Aurelie Vinot, Neville Pillay, Antoine Stier e Lindelani Makuya, investigaram a variação sazonal na osmolalidade sérica desses roedores.

A osmolalidade sérica demonstrou uma correlação direta com a severidade ambiental, elevando-se significativamente durante a estação seca, especialmente quando a disponibilidade de alimentos era baixa. Os achados indicam que, à medida que as temperaturas sobem, o sangue dos camundongos listrados se torna mais concentrado, atingindo uma média de 5 mosmol kg⁻¹ mais alta na estação seca rigorosa em comparação com a estação úmida mais amena. Embora a temperatura máxima tenha sido o preditor mais forte da osmolalidade entre as estações, a disponibilidade de alimentos explicou uma maior variação dentro do período seco.

Os camundongos listrados enfrentam seis meses de seca anual, com temperaturas que podem ultrapassar 40°C, e seu suprimento alimentar, que é também sua única fonte de água, se esgota. Em resposta a este estresse, esses animais conseguem reduzir seu gasto energético diário em 30% ao diminuir a atividade e o metabolismo basal durante a estação de restrição alimentar. Esta pesquisa estabelece a osmolalidade do soro sanguíneo como um indicador robusto da severidade ambiental em mamíferos xerófilos.

A Estação de Pesquisa do Karoo Suculento, estabelecida há 25 anos por Carsten Schradin e Neville Pillay, visa entender os mecanismos fisiológicos e comportamentais que permitem a adaptação a ambientes extremos, um conhecimento fundamental para prever a resiliência frente às mudanças climáticas. Os dados sugerem que gestores de conservação podem empregar a medição da concentração sanguínea em animais selvagens para fundamentar decisões sobre o fornecimento de água e alimento durante períodos de seca extrema. A África, apesar de sua baixa contribuição para as emissões globais de gases de efeito estufa, é desproporcionalmente afetada por esses fenômenos, tornando o estudo da capacidade de manter o equilíbrio hídrico um desafio fisiológico central para a sobrevivência em biomas áridos como o Karoo.

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Fontes

  • The Conversation

  • Journal of Experimental Biology

  • PubMed

  • ResearchGate

  • Journal of Experimental Biology

  • ResearchGate

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