Diferenças na Visão de Cães, Gatos e Humanos: Cores e Adaptação Luminosa

Editado por: Olga Samsonova

A compreensão detalhada da percepção visual de cães e gatos constitui um elemento central tanto para tutores quanto para a oftalmologia veterinária. Investigações recentes têm esclarecido disparidades significativas em relação à visão humana, abrangendo a percepção cromática, a acuidade visual e a notável capacidade de adaptação à luminosidade. Um estudo recente, citado pelo professor Fernando Bretas da Escola de Veterinária da UFMG, indica que a visão felina apresenta uma sensibilidade à luz que pode ser até 300 vezes superior à humana.

Os caninos, por sua vez, possuem uma visão dicromática, o que significa que sua percepção visual é predominantemente baseada nas tonalidades de azul e amarelo. Para os cães, cores como o vermelho e o verde são frequentemente indistinguíveis, sendo diferenciadas apenas por variações de brilho e contraste. Essa característica visual influencia a seleção de objetos lúdicos, pois itens azuis ou amarelos se destacam com maior clareza em ambientes com predominância de verde. A acuidade visual canina, que oscila entre 20/75 e 20/100, é inferior à humana, classificada como 20/20. Isso implica que um objeto visível a 20 metros por um ser humano só é discernido nitidamente a cerca de 6 a 8 metros por um cão.

Em contraste, os felinos demonstram uma capacidade superior em ambientes com pouca luz, uma aptidão atribuída à alta concentração de células bastonetes em suas retinas. Uma estrutura anatômica fundamental é o *tapetum lucidum*, uma membrana retrorefletora localizada atrás da retina que reflete a luz visível, proporcionando aos fotorreceptores uma segunda oportunidade de absorção luminosa. Este mecanismo é crucial para a caça noturna, maximizando a captação da luz disponível e explicando o brilho característico dos olhos de gatos e cães no escuro. O *tapetum lucidum* é uma característica comum em carnívoros, mas está ausente em humanos e na maioria dos primatas.

Comparativamente, o ser humano é classificado como um tricromata, detentor de uma percepção de cores e detalhes superior devido aos seus três tipos de cones sensíveis ao azul, vermelho e verde. No entanto, tanto cães quanto gatos superam a visão humana na detecção de movimento e na navegação em condições crepusculares. O campo de visão do gato, de 200°, é superior ao campo de visão humano de 180°, conferindo-lhes uma perspectiva mais panorâmica. A pupila felina também exibe uma notável capacidade de expansão, otimizando a captura da luz ambiente.

O reconhecimento dessa arquitetura visual distinta molda o comportamento diário e a interação dos animais de estimação com seu ambiente. Pesquisas, como as conduzidas por biólogos da Universidade Duke, ajudam a refutar mitos, como a crença de que cães enxergam apenas em preto e branco. O Dr. Felipe Wouk, membro do Colégio Brasileiro de Oftalmologia Veterinária, aponta que ajustar o ambiente doméstico, priorizando cores contrastantes visíveis para os pets, como azul e amarelo, e reconhecer sua dependência de sentidos como olfato e audição, otimiza a qualidade de vida desses companheiros. A visão dicromática canina, por exemplo, leva-os a se orientarem mais pelo brilho dos objetos do que pela cor em si.

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Fontes

  • O Antagonista

  • O Antagonista

  • Catraca Livre

  • Catraca Livre

  • Revista Oeste

  • G1 - Globo

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