Reintrodução do Bisão Americano Revitaliza Ecossistemas no Norte do México

Editado por: Olga Samsonova

A reintegração do Bisão Americano em reservas mexicanas, com destaque para a Reserva da Biosfera de Janos, em Chihuahua, evidencia o impacto ecológico substancial que grandes herbívoros exercem sobre os biomas de pradaria. Reconhecidos como engenheiros de ecossistemas, a atividade de pastoreio destes animais remodela positivamente as paisagens de gramíneas nativas. A sua presença estimula o rebrotamento da vegetação, favorecendo a diversidade de espécies vegetais autóctones, e, por meio do pisoteio e da movimentação, aprimora a infiltração de água no solo e auxilia na dispersão de sementes, catalisando a regeneração ambiental.

O êxito inicial em Janos, que protege o último pasto nativo do norte do México e foi o primeiro sítio federal dedicado à proteção de um ecossistema de pradaria, impulsionou a expansão do programa para outras regiões. Desde 2019, novos rebanhos foram estabelecidos nos estados de Coahuila e Sonora, consolidando um total de quatro manadas de conservação em diferentes estados mexicanos. A população original em Janos, que recebeu 23 bisões geneticamente puros do Wind Cave National Park, Dakota do Sul, em 2009, demonstrou um crescimento notável, alcançando aproximadamente 460 indivíduos no Rancho El Uno em 2024, o que exige manejo contínuo para assegurar a viabilidade genética.

O modelo implementado em Janos foi replicado em Cuatro Ciénegas, Coahuila, com a soltura de 44 bisões (38 fêmeas e seis machos) na reserva ecológica El Santuario, de cerca de 4.000 hectares, no final de 2025. Esta iniciativa, coordenada pela Fundação Pro Cuatro Ciénegas em colaboração com o Fundo Mexicano para a Conservação da Natureza (FMCN) e a Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Conanp), tem como objetivo a restauração do deserto chihuahuense, incluindo a recuperação de zonas úmidas e a promoção de práticas agroecológicas.

Este esforço de reintegração transcende a esfera ecológica, incorporando um profundo resgate biocultural, particularmente em relação à Nação N'dee (Apache), para quem o bisão constitui um elemento identitário e espiritual fundamental. A ausência do bisão na região norte, que historicamente se estendia por Sonora, Chihuahua, Coahuila, Nuevo León e Durango, foi resultado de impactos humanos no final do século XIX, como a caça excessiva e a expansão agrícola. A reintrodução é, portanto, vista como um ato de restauração que reconecta as culturas indígenas ao seu território ancestral.

A sustentabilidade a longo prazo do programa, contudo, enfrenta desafios como a fragmentação do habitat e a necessidade de desenvolver modelos econômicos que sustentem a conservação. Gerardo Ruiz Smith, diretor da Fundação Pro Cuatro Ciénegas, salientou que o retorno do animal restaura funções ecossistêmicas críticas, como a melhoria da retenção de água e a redução do risco de incêndios ao consumir pasto seco, funções que nenhuma outra espécie pode desempenhar. Há a expectativa de que visitas guiadas para o ecoturismo no santuário sejam iniciadas antes do fim de 2025.

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Fontes

  • Diario Cambio 22 - Península Libre

  • Dossier Político

  • Expansión Política

  • Milenio

  • Excélsior

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