Vazamento de Óleo de Girassol em Odessa: Ataque ao Porto Pivdennyi Causa Incidente Ecológico de Grande Proporção

Editado por: Svetlana Velgush

Entre os dias 20 e 22 de dezembro de 2025, a infraestrutura portuária de Odessa foi alvo de uma série de ataques com mísseis e drones perpetrados pelas forças russas. Este bombardeio resultou em um grave incidente ambiental no Mar Negro. O dano mais significativo concentrou-se no terminal Allseeds Black Sea, localizado no porto de Pivdennyi. A destruição dos tanques de armazenamento provocou o vazamento de milhares de toneladas de óleo de girassol. Especificamente no dia 20 de dezembro, o ataque incendiou cerca de 30 contêineres contendo farinha e óleo vegetal, causando uma perda considerável dos estoques de mercadorias.

A dimensão da perda foi confirmada por Kornelis Vriens, diretor de comércio da Allseeds, em declaração à agência AFP. Ele classificou o ataque como o mais destrutivo para a empresa desde o início das hostilidades em grande escala. Os efeitos do derramamento tornaram-se visíveis na costa de Odessa até o dia 24 de dezembro. Manchas oleosas, com aparência similar a petróleo, foram registradas nas praias de Delfin e Lanjeron, juntamente com a descoberta de aves marinhas mortas. As autoridades locais, representadas por Oleg Kiper, chefe da Administração Militar Regional de Odessa, e Serhiy Lysak, chefe da Administração Militar da Cidade de Odessa, confirmaram a contaminação. Eles observaram que parte do produto atingiu a via pública e a área do estuário antes de chegar ao mar aberto.

Vladislav Balinsky, um ativista ambiental e líder da organização não governamental “Folha Verde”, classificou o evento como uma verdadeira “catástrofe ecológica”. Ele ressaltou que o Golfo de Odessa funciona como uma armadilha natural para a película superficial de óleo. A operação de mitigação foi severamente dificultada pelo bombardeio contínuo que o porto sofreu durante as quarenta e oito horas seguintes aos ataques iniciais, limitando a ação das equipes especializadas. A Administração dos Portos Marítimos da Ucrânia (AMPU) comunicou o início gradual das operações de contenção, incluindo a instalação de barreiras flutuantes. Como medida de segurança, a navegação no porto foi suspensa temporariamente até que os trabalhos de limpeza fossem concluídos.

Embora as autoridades enfatizem a natureza orgânica do óleo de girassol, que permite sua decomposição biológica, o prejuízo imediato ao ecossistema é inegável. Yevhen Khlobystov, decano da Faculdade de Ciências Naturais da NaUKMA, estimou que a película oleosa poderia se dissipar em um período de cinco a sete dias. Contudo, ele alertou que os impactos negativos de longo prazo sobre a fauna e flora permanecerão. No que tange ao aspecto humanitário da situação, Igor Biliakov, diretor do Zoológico de Odessa, confirmou o estabelecimento de um centro de acolhimento para aves afetadas. Até 24 de dezembro, mais de duzentas aves debilitadas foram levadas ao zoológico para receber cuidados essenciais, como secagem e reabilitação.

O Gabinete do Procurador-Geral da Ucrânia deu início a uma investigação sobre o incidente, enquadrando-o sob o artigo de crimes de guerra. Paralelamente, a Inspeção Ecológica Estatal começou a coletar amostras de água para análise detalhada. Kornelis Vriens, da Allseeds, também abordou a complicação financeira do evento, mencionando que as seguradoras tendem a não cobrir ameaças dessa natureza, o que onera significativamente os operadores de terminais. Este episódio serve como um lembrete contundente do dano ambiental direto e mensurável que está sendo infligido no contexto do conflito armado atual.

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Fontes

  • Reuters

  • Ukrainska Pravda

  • The Guardian

  • Devdiscourse

  • The Straits Times

  • LIGA.net

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