Trump anuncia fim das hostilidades com o Irã em carta ao Congresso dos EUA

Autor: Tatyana Hurynovich

Maio de 2026, EUA – Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, notificou oficialmente o Congresso de que as "ações militares contra o Irã foram concluídas", embora uma significativa presença militar americana permaneça na região, acompanhada por um bloqueio naval intensificado aos portos iranianos.

Em 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos, em apoio a Israel, iniciaram ataques massivos contra alvos iranianos, sob a justificativa de conter o programa nuclear e as ameaças às forças americanas na área. Com a aproximação do prazo de 60 dias da "Lei de Poderes de Guerra" em 1º de maio, Trump enviou uma carta ao presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e ao presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley, declarando que as "hostilidades com o Irã foram encerradas".

No documento, ele ressaltou que "desde 7 de abril não houve troca de tiros entre os EUA e o Irã" e que os confrontos militares estão formalmente terminados. Tal medida permitiu que a administração evitasse a necessidade de aprovação do Congresso para a continuidade da operação, que era oficialmente tratada apenas como uma "ação militar", e não como uma "guerra".

A "Lei de Poderes de Guerra" de 1973 exige o aval do Legislativo caso os combates ultrapassem 60 dias. O prazo de 1º de maio expirou sem qualquer votação para uma declaração formal de guerra, enquanto os republicanos em ambas as casas apoiaram tacitamente a estratégia de Trump, preferindo evitar um embate direto com a Casa Branca.

Em sua correspondência, Trump rejeita abertamente a necessidade de consentimento do Congresso, rotulando as restrições legais como "inconstitucionais", e reitera seu direito de realizar ataques futuros. Especialistas alertam que isso cria um precedente perigoso, permitindo que o presidente declare uma escalada como "concluída no papel" enquanto mantém tropas, bases e frotas em prontidão máxima.

Apesar do discurso de Trump sobre a "cessação das hostilidades", diversos porta-aviões, grupos de ataque e centenas de aeronaves permanecem no Golfo Pérsico. O bloqueio naval aos portos iranianos continua restringindo o comércio e a exportação de petróleo, o que já causou uma disparada nos preços do barril e motivou novas sanções contra empresas ligadas a Teerã.

O Irã apresentou diversas propostas de paz por meio de mediadores paquistaneses, sugerindo a reabertura do Estreito de Ormuz em troca do levantamento parcial das sanções. Trump declarou publicamente sua insatisfação com a última oferta, citando "exigências excessivas" de Teerã, e apresentou apenas dois caminhos: "chegar a um acordo" ou "aniquilar o Irã em um único dia".

A comunidade internacional recebeu com cautela o anúncio do fim dos confrontos diretos, mas alerta que o risco de nova escalada segue alto sem um acordo abrangente e a retirada das tropas. Na União Europeia e em países aliados, crescem os apelos por garantias que não dependam de decisões unilaterais da presidência dos EUA e que impeçam o uso da presença militar como ferramenta de pressão constante na região.


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