Neurociência Explica Ruminação Noturna Como Processamento Emocional Atrasado

Editado por: Olga Samsonova

Pesquisas recentes em psicologia e neurociência detalham que a ruminação noturna, definida como o ato de pensar excessivamente durante o período de repouso, não constitui uma falha de caráter, mas sim um reflexo da reorganização funcional do cérebro durante o sono. Durante as horas de vigília, o córtex pré-frontal (PFC), estrutura cerebral responsável pelas funções executivas como planejamento e controle inibitório, gerencia as atividades diárias, frequentemente contendo ou suprimindo reações emocionais intensas, como medo ou culpa decorrentes de experiências vividas.

Com o relaxamento corporal noturno, o sistema límbico, centro primário de processamento emocional, ganha proeminência na atividade neural. Essa mudança de dominância cerebral permite que sentimentos adiados durante o dia venham à tona, manifestando-se como pensamentos repetitivos e circulares. Essa tentativa incessante da mente de resolver as experiências diárias, que não receberam um reconhecimento ou processamento completo no momento em que ocorreram, estabelece o cerne da superpensação noturna.

Um fator que agrava a manutenção de um estado de alerta cerebral, impedindo o sono reparador, é a persistência de níveis elevados de cortisol, o hormônio do estresse. Em condições fisiológicas normais, o cortisol segue um ritmo circadiano, apresentando seus níveis mais baixos à noite para facilitar o repouso, com o pico ocorrendo entre 6h e 8h da manhã. O estresse crônico, contudo, desregula esse ciclo, mantendo o cortisol elevado e impedindo o cérebro de desacelerar adequadamente, o que ativa o eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal) para uma resposta de “luta ou fuga”.

Especialistas em saúde mental indicam que a tentativa direta de reprimir esses pensamentos intrusivos noturnos pode, paradoxalmente, intensificar sua frequência e carga emocional. A abordagem mais produtiva reside na gestão proativa e consciente das emoções durante o período de atividade diurna. Estratégias como o registro escrito de preocupações em um diário antes de deitar ajudam a descarregar a carga mental acumulada, servindo como um mecanismo de pré-processamento.

Para mitigar a ativação noturna, é fundamental incorporar práticas que promovam a redução do cortisol e da ansiedade enquanto se está desperto. A prática regular de atenção plena, ou *mindfulness*, demonstrou ser eficaz na modulação do sistema nervoso e na diminuição dos níveis de estresse. O reconhecimento e o processamento intencional das emoções no momento em que surgem previnem o acúmulo de um “déficit emocional” que o cérebro tenta resolver durante o repouso. A neurociência sugere que o sono, especialmente o REM, atua como uma “terapia noturna”, processando experiências emocionais e reduzindo sua carga negativa, um processo prejudicado pela privação de sono.

10 Visualizações

Fontes

  • Thehealthsite.com

  • The Psychology of Overthinking at Night - YouTube

  • PSYCHOLOGY OF PEOPLE WHO OVERTHINK AT NIGHT - YouTube

  • The Psychology of People Who Think Too Much at Night - YouTube

  • Overthinkers often don't realize it but psychology says the way they make decisions is fundamentally different from most people - Editing Services | Proofreading

  • Stress hormones rise during sleep to prepare your body for the day - Earth.com

Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.