Irã derruba aviões militares americanos pela primeira vez nesta guerra — e isso já muda a lógica do conflito

Autor: Aleksandr Lytviak

Irã derruba aviões militares americanos pela primeira vez nesta guerra — e isso já muda a lógica do conflito-1

F-15E Strike Eagle

A principal notícia não é que ocorreu um raro episódio de combate no ar, mas que os EUA perderam aviões militares tripulados pela primeira vez desde o início desta guerra. Até 4 de abril, está confirmado com maior segurança um F-15E abatido sobre o Irã, com um membro da tripulação resgatado e o segundo dado como desaparecido; o segundo incidente com um A-10 também é amplamente divulgado, mas parte das fontes americanas ainda deixa em aberto a questão de se ele foi de fato abatido ou perdido após danos em combate.

O evento é importante porque quebra a construção política anterior desta campanha. Apenas dois dias antes do incidente, Donald Trump afirmava que o Irã estava “totalmente derrotado” e que suas capacidades haviam sido drasticamente enfraquecidas. Agora o cenário parece diferente: mesmo após semanas de ataques, Teerã manteve a capacidade de desferir golpes dolorosos e simbolicamente pesados contra a aviação americana. Para a guerra, este é um ponto de virada: a sensação de controle unilateral desaparece e, com ela, cresce o custo de cada próxima decolagem.

O sentido militar do ocorrido também é claro. Analistas citados pela AP acreditam que, embora a defesa aérea iraniana esteja seriamente enfraquecida, ela não foi destruída, e voos em altitudes mais baixas tornam vulnerável até mesmo uma aviação tecnologicamente forte. Avaliações preliminares admitem que, em pelo menos um dos aviões, pode ter sido utilizado um sistema antiaéreo portátil ou outro meio móvel de destruição. Em outras palavras, a questão já não é se o Irã pode vencer a guerra no ar, mas se pode continuar impondo aos EUA um ambiente perigoso e exaustivo.

Mas ainda mais importantes são as consequências políticas e econômicas. A busca pelo membro da tripulação desaparecido já se tornou uma operação separada de alto risco, e o Washington Post escreve que, durante as ações de resgate, helicópteros americanos também foram alvejados. Tais episódios mudam rapidamente a percepção pública da guerra: uma campanha abstrata transforma-se em uma história de perdas, vulnerabilidade e do custo crescente das decisões tomadas em Washington. Nesse cenário, o nervosismo dos mercados mundiais também se intensifica, pois o conflito já atinge a infraestrutura energética da região e as rotas pelo Ormuz.

Há ainda outra camada. A AP chama este de o primeiro caso em mais de 20 anos em que aviões americanos são abatidos por fogo inimigo, bem como o primeiro episódio desse tipo na atual guerra. Isso não torna o Irã estrategicamente mais forte que os EUA, mas obriga a olhar de outra forma para a própria relação de forças. A superioridade aérea ainda não é uma invulnerabilidade total. E eis a questão que agora pairará sobre toda a campanha: se mesmo após ataques massivos o Irã ainda é capaz de abater aeronaves americanas, quão longa e cara será a próxima fase da guerra?

O que vem a seguir? Nas próximas horas, o principal marcador será o destino do membro da tripulação desaparecido e se o Pentágono reconhecerá oficialmente todos os detalhes do segundo incidente. Estrategicamente, o mundo observará outra coisa: se os EUA aumentarão a escalada para restaurar a dissuasão ou se, pelo contrário, tentarão reduzir os riscos, porque a guerra mostrou inesperadamente os limites de uma máquina militar mesmo muito forte.

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Fontes

  • washingtonpost

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