
Crédito da imagem: Ju Young Lee et al., 2026
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Editado por: Aleksandr Lytviak

Crédito da imagem: Ju Young Lee et al., 2026
Cientistas do Centro Médico Universitário de Amsterdã (Amsterdam UMC) completaram o primeiro mapa tridimensional abrangente da rede nervosa interna do clitóris, um avanço na neuroanatomia feminina. O estudo, cujo preprint foi divulgado em 20 de março de 2026 no bioRxiv, oferece uma visualização detalhada que desafia concepções anatômicas estabelecidas, particularmente sobre o nervo dorsal do clitóris (DNC).
A equipe, liderada pela pesquisadora Ju Young Lee, empregou a Tomografia de Contraste de Fase Hierárquica (HiP-CT), uma técnica avançada de raios X que utiliza fontes de radiação síncrotron, para analisar duas amostras pélvicas femininas post-mortem. Essa metodologia permitiu a obtenção de cortes tomográficos em escala de mícrons, com capacidade de resolver estruturas com diâmetro mínimo de 0,2 mm, superando a precisão da ressonância magnética convencional ou de dissecações tradicionais. A fonte de raios X de alta intensidade foi fornecida pelo European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), em Grenoble, França.
Um achado central da pesquisa revela que o DNC apresenta um padrão de ramificação complexo e robusto dentro da glande do clitóris, assemelhando-se a uma árvore, o que refuta a noção anterior de que ele se atenuava gradualmente. O mapeamento detalhou cinco troncos nervosos principais na glande e rastreou ramificações do DNC que se estendem para inervar o púbis e o capuz do clitóris. Este nível de detalhe anatômico contrasta com o mapeamento comparável do pênis, realizado aproximadamente três décadas antes.
A relevância desta descoberta visa corrigir uma lacuna histórica no conhecimento da saúde sexual feminina, historicamente marginalizada por tabus culturais. A urologista Helen O'Connell, pioneira no estudo da anatomia do clitóris, que detalhou sua estrutura em 1998 e 2005, observou que o órgão foi por muito tempo "intelectualmente deletado pela comunidade médica e científica".
A precisão desta nova cartografia nervosa pode ter implicações cirúrgicas imediatas. O conhecimento detalhado auxilia procedimentos como cirurgias reconstrutivas pós-mutilação genital feminina, labioplastia e intervenções oncológicas pélvicas, permitindo que cirurgiões evitem danos nervosos não intencionais. O trabalho reforça a necessidade de uma representação anatômica feminina mais precisa em materiais educativos, um ponto já levantado por O'Connell em estudos anteriores.
Daily Mail Online
VICE
DesignTAXI Community
The Guardian
Live Science
bioRxiv