Estratégias para Mitigar o Estresse de Animais Domésticos com Fogos de Artifício

Editado por: Olga Samsonova

A chegada de épocas festivas, caracterizadas pela queima de artefatos pirotécnicos, apresenta um desafio significativo ao bem-estar dos animais domésticos devido à sua audição superior à humana. Estudos indicam que uma parcela considerável de cães, variando entre 17% e 49%, demonstra aversão a ruídos de alta intensidade, como os gerados por rojões ou trovões. Para esses animais, as detonações súbitas e volumosas são processadas como estímulos ameaçadores, ativando respostas fisiológicas de estresse agudo, que incluem taquicardia e hiperventilação, frequentemente ligadas à liberação de cortisol e adrenalina pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

O pânico provocado por esses eventos sonoros pode acarretar consequências sérias, como fugas que resultam em atropelamentos ou lesões traumáticas. Um levantamento conduzido pela Petlove em colaboração com a campanha “Chega de Fogos” apontou que 84% dos animais de estimação manifestam medo de rojões, e 66% dos tutores relataram que seus bichos já fugiram por causa do barulho. Profissionais de saúde animal confirmam a correlação: 91% dos veterinários entrevistados relataram atender casos de ansiedade e medo extremo, com 72% observando taquicardia nos animais durante esses períodos.

A legislação acompanha essa preocupação, visto que diversas cidades brasileiras, como São Paulo e Belo Horizonte, possuem leis que proíbem fogos com estampido, uma competência municipal que o Supremo Tribunal Federal validou. Em consonância com as diretrizes atuais de bem-estar animal, a abordagem proativa prioriza a prevenção e o controle do ambiente sensorial, distanciando-se da automedicação com fármacos mais antigos, como a acepromazina, que pode induzir reações imprevisíveis. Para fobias severas, especialistas recomendam o desenvolvimento de um plano de manejo clínico ou comportamental em conjunto com um médico-veterinário.

Alternativas farmacológicas mais recentes, como a gabapentina e a trazodona, ganharam relevância devido ao seu perfil de segurança e versatilidade, embora a prescrição deva ser sempre individualizada. Para o manejo da ansiedade durante as explosões, diversas estratégias ambientais são recomendadas. É crucial assegurar exercício adequado e estimulação mental no início do dia, além de confirmar a microchipagem dos animais, que podem se afastar em momentos de susto. A criação de um refúgio seguro, um cômodo interno com cortinas fechadas para bloquear luz e som, deve ser introduzida semanas antes do evento, permitindo que o animal se familiarize com o abrigo.

A manutenção de uma rotina calma por parte do tutor é fundamental, pois a agitação humana pode reforçar o medo do animal, ao passo que a presença constante oferece segurança. O mascaramento do som é outra tática essencial, utilizando ruído branco, ventiladores ou música clássica específica para animais, visando diluir o impacto dos estrondos. Adicionalmente, técnicas de modificação comportamental, como a dessensibilização progressiva — exposição gradual a gravações de fogos com recompensas de alto valor —, buscam criar uma associação positiva com o som. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Roraima (CRMV/RR) sugere a preferência por fogos visuais, citando a Lei Estadual Nº 1484/2021 que proíbe artefatos ruidosos no estado. A combinação dessas medidas ambientais, comportamentais e, quando indicado, farmacológicas sob supervisão, configura a abordagem mais completa para a proteção animal durante os períodos de fogos de artifício.

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Fontes

  • Medio Tiempo

  • infobae

  • pet.istoe.com.br

  • Mediotiempo

  • Infobae

  • TReporta

  • Expreso

  • El 10 TV | Televisión Salteña

  • Infobae

  • Mediotiempo

  • Diario Huarpe

  • Yahoo Noticias

  • Marcela Fittipaldi Magazine

  • The Jerusalem Post

  • Science Alert

  • The Optimist Daily

  • IstoÉ Pet

  • R7 Entretenimento

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