Mecanismo de Longevidade da Baleia-da-Groenlândia Revela Segredos Contra o Câncer

Editado por: Olga Samsonova

Um consórcio internacional de cientistas decifrou o notável mecanismo biológico que confere à Baleia-da-Groenlândia (*Balaena mysticetus*) a capacidade de viver por mais de dois séculos, demonstrando notável resistência a doenças como o câncer. A pesquisa indica que este gigante do Ártico não se livra de suas células danificadas, mas sim as restaura ativamente, um processo que impede o acúmulo de mutações com potencial cancerígeno.

O cerne desta longevidade extraordinária reside na proteína CIRBP (Proteína de Ligação ao RNA Induzível pelo Frio), que se encontra em concentrações significativamente mais altas nos tecidos da baleia em comparação com os humanos. A proteína CIRBP atua como um regulador crucial no reparo de quebras de fita dupla no DNA, o tipo mais grave de dano genético. Estudos apontam que a CIRBP se acumula temporariamente nas regiões lesionadas do DNA, onde interage com o polímero gerado pela enzima PARP-1, resultando em uma eficiência de reparo superior à observada em outros mamíferos.

Investigações genômicas comparativas, que mapearam o genoma da *Balaena mysticetus* contra o de outros nove mamíferos, revelaram mutações específicas em genes vitais. Além das alterações ligadas à CIRBP, foram identificadas duplicações em genes essenciais para a reparação do DNA, como o PCNA. Essas descobertas sugerem que a evolução equipou este cetáceo com um sistema de defesa celular avançado, atuando como um escudo contra a degradação celular ao longo do tempo.

Outros fatores que contribuem para o ciclo de vida estendido, que pode ultrapassar os 211 anos, incluem a maturidade sexual tardia, que ocorre entre os 18 e 33 anos, e um ritmo de crescimento lento. Os resultados desta investigação abrem novas e promissoras avenidas na ciência do envelhecimento, com o objetivo de desenvolver terapias que possam emular a maestria da baleia no reparo do material genético. A observação da *Balaena mysticetus* reforça o princípio de que a resiliência reside na capacidade intrínseca de realinhar e restaurar o que foi afetado, em vez de simplesmente eliminar o dano.

Fontes

  • Canarias7

  • ABC

  • La Voz de Galicia

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