Resiliência Forjada na Adversidade: O Legado Psicológico das Gerações Mais Velhas

Editado por: Olga Samsonova

Pesquisas psicológicas atuais indicam uma correlação significativa entre infâncias marcadas por privações e o desenvolvimento de uma resiliência emocional e mental robusta em indivíduos com mais de 70 anos. Essa observação sugere que as gerações que enfrentaram escassez material e menor validação afetiva precoce consolidaram mecanismos de enfrentamento altamente eficientes, essenciais para a adaptação bem-sucedida à fase da velhice. A resiliência, entendida como a capacidade de superar dificuldades e adaptar-se positivamente ao contexto, ganha relevância particular nesta etapa da vida, potencializando a saúde mental, conforme apontado em estudos sobre envelhecimento saudável.

Um atributo central identificado nestes grupos etários é a autonomia emocional, uma habilidade desenvolvida pela necessidade de autorregulação afetiva em contextos onde o suporte externo era limitado ou inexistente. Essa independência manifesta-se clinicamente como uma notável capacidade de manter a serenidade sob pressão e de estabelecer limites emocionais firmes contra estresses ambientais ou críticas. Embora experiências traumáticas severas e não tratadas representem riscos inerentes ao desenvolvimento psicológico, as respostas adaptativas a ambientes precoces exigentes catalisaram uma fortaleza psíquica significativa em muitos idosos.

A resiliência, conceito inicialmente emprestado das ciências exatas, foi adotada pelas Ciências Humanas para mapear a capacidade regenerativa do ser humano frente a choques emocionais. A Sociologia, por exemplo, analisa como o tecido social auxilia o indivíduo a resignificar projeções e estereótipos culturais associados à idade. A atenção a essa população é pertinente, visto que, no Brasil, o percentual de pessoas com 60 anos ou mais atingiu 15,1% em 2022, um aumento em relação aos 11,3% registrados em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É crucial diferenciar essa resiliência adaptativa de sequelas de traumas não resolvidos, que estão ligados a transtornos de ansiedade, depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) na vida adulta.

Para aqueles que desenvolveram respostas adaptativas, a experiência precoce de lidar com a adversidade, que pode incluir negligência familiar, ensinou a gerenciar sentimentos sem dependência excessiva de validação externa. A negligência, caracterizada pela omissão de cuidados necessários, é um tipo de violência contra idosos que impacta a saúde mental, mas a superação de desafios anteriores pode ter fortalecido o indivíduo contra vulnerabilidades subsequentes. O contraste geracional é visível, inclusive no ambiente de trabalho, onde a Geração X e os Baby-Boomers tendem a valorizar comunicações mais formais, em oposição às preferências da Geração Z por interações rápidas e diretas.

Estratégias como a mentoria reversa, onde os mais jovens ensinam tecnologia e os mais velhos compartilham visão estratégica, são propostas para mitigar conflitos intergeracionais, transformando diferenças em colaboração produtiva. A capacidade de adaptação às expectativas de diferentes faixas etárias é considerada uma competência essencial na liderança moderna. Em suma, enquanto a atenção à saúde mental deve ser prioritária desde a primeira infância para prevenir complicações futuras, a análise das gerações mais velhas revela um legado de força psicológica. Essa fortaleza advém da internalização de mecanismos de enfrentamento que lhes permitem manter a autonomia e a estabilidade emocional, mesmo diante das inevitáveis mudanças e perdas inerentes ao processo de envelhecimento.

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Fontes

  • JawaPos.com

  • Global Research and Innovation Journal

  • GoLantang

  • Jawa Pos

  • Jawa Pos

  • UI Scholars Hub

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