Educação Progressista Mantém Foco em Ganhos Cognitivos da Caligrafia em Contexto Digital

Editado por: Olga Samsonova

A educação progressista sustenta a prioridade em metodologias de ensino que visam o domínio de competências fundamentais, como a caligrafia, apesar da disseminação de instrumentos digitais. Este foco é anualmente sublinhado pelo Dia Mundial da Caligrafia, celebrado a 23 de janeiro, data estabelecida em 1977 pela Writing Instrument Manufacturers Association (WIMA). A edição de 2026 marcará o 49º ano da comemoração, um período que reflete o reconhecimento da correlação entre a redução da prática da escrita manual e o desempenho acadêmico geral.

Investigações científicas confirmam vantagens cognitivas inerentes à escrita à mão, otimizando a retenção de memória, estimulando a reflexão aprofundada e fomentando a criatividade. Tais benefícios estabelecem a escrita manual como um pilar essencial na construção do conhecimento e no desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico, transcendendo a função de mera transcrição de informações.

A pesquisadora Florence Bara, do laboratório Cognition, Langues, Langage, Ergonomie (CLLE) na Universidade Toulouse - Jean Jaurès, dedica seus estudos aos processos de aprendizagem. Sua pesquisa corrobora que o gesto motor da caligrafia engaja redes neurais específicas, cruciais para o aprimoramento de destrezas motoras finas. Para o público infantil, o processo de automatização da caligrafia é gradual, consolidando-se frequentemente apenas na transição para o ensino fundamental II.

A escrita à mão ultrapassa a função instrumental, configurando-se como um meio vital de expressão pessoal e comunicação, ativando múltiplas áreas cerebrais que a tecnologia, isoladamente, não replica com a mesma eficácia. Essa ativação neural multifacetada resulta em uma fixação de memória mais robusta, posicionando a caligrafia como um componente estratégico em abordagens educacionais avançadas.

Estudos indicam que a escrita manual estimula os córtex visual, sensorial e motor, auxiliando na assimilação e codificação de novos conhecimentos. Virginia Berninger, professora da Universidade de Washington, observou em seus estudos com alunos que aqueles que redigiam notas à mão demonstravam maior clareza e extensão no desenvolvimento de ideias, além de maior velocidade e vocabulário mais diversificado em comparação com colegas que utilizavam a digitação. A escrita manual impõe uma desaceleração intencional do pensamento, o que incentiva o processamento, a sumarização e a geração de significado, promovendo um engajamento profundo que fortalece a concentração e a memória de longo prazo.

Em um cenário de preocupação educacional, dados apontam que, nos Estados Unidos, 25% da população estudantil não atinge proficiência em caligrafia, e 75% dos alunos do quarto ao décimo segundo ano escrevem abaixo do nível esperado para sua série. A WIMA, fundada em 1943, instituiu o Dia Mundial da Caligrafia em 1977 com o objetivo de resgatar a arte da caligrafia, que se sentia ameaçada pela digitalização. A escrita em papel, livre das distrações das telas, nutre a criatividade e a clareza emocional, oferecendo um espaço para organizar pensamentos e desenvolver uma voz autêntica.

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Fontes

  • Télérama

  • National Today

  • Cognition, Langues, Langage, Ergonomie (CLLE) UMR 5263

  • Writing Instrument Manufacturers Association (WIMA)

  • Days Of The Year

  • Graphiline.com

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