A Ascensão do Affogato no Brasil e a Evolução do Consumo de Café

Editado por: Olga Samsonova

O Brasil, um dos maiores mercados de consumo de café do mundo, com um volume que atingiu 21,409 milhões de sacas entre novembro de 2024 e outubro de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), está redefinindo a apreciação da bebida ao integrá-la a sobremesas de simplicidade e impacto. Essa mudança reflete uma tendência gastronômica que prioriza a execução rápida e o uso de poucos ingredientes para maximizar a experiência sensorial.

O *affogato*, termo italiano que significa "afogado", exemplifica essa convergência culinária. A sobremesa une a intensidade do café espresso quente com a textura fria e cremosa de um gelato, tradicionalmente de baunilha ou creme. A chef Débora Alberti, do Itália no Box, destaca que a técnica se baseia no equilíbrio preciso entre a disparidade de temperaturas e a harmonia das texturas. Este preparo, que pode ser montado em minutos, eleva o café ao papel de protagonista em uma sobremesa sofisticada.

A qualidade do café é fundamental para a excelência do *affogato*, sendo o espresso o método tradicionalmente empregado. No entanto, métodos alternativos como a prensa francesa ou a cafeteira Moka são sugeridos para quem busca um perfil mais encorpado, alinhado ao ritual de preparo valorizado pelo consumidor doméstico brasileiro. A montagem ideal exige um recipiente com base estreita para retardar o derretimento do sorvete e manter o contraste térmico. Embora a base seja minimalista, o prato aceita sofisticações sutis, como a adição de licores como o *amaretto*, raspas de chocolate amargo, ou a inclusão de nozes e *nibs* de cacau para conferir crocância.

Esta sobremesa, que teve sua palavra registrada em dicionários de inglês na década de 1990, transcendeu o status de bebida para se firmar como uma sobremesa reconhecida globalmente. O cenário do consumo de café no Brasil indica um consumidor mais criterioso. Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do Instituto Foodservice Brasil (IFB), aponta que o mercado de foodservice movimentou R$ 12 bilhões em 2025. Enquanto o consumo fora de casa em cafeterias enfrentou uma retração de 17% nas transações em relação a 2024, o hábito de degustar em casa se reforçou, com 39% dos entrevistados dobrando o consumo doméstico em relação a 2023, segundo pesquisa citada.

A busca por experiências gastronômicas diferenciadas, mesmo em preparos rápidos como o *affogato*, alinha-se à tendência de consumidores que procuram qualidade. A simplicidade elegante da sobremesa se encaixa neste panorama de indulgência prática e qualidade elevada, solidificando sua relevância na culinária contemporânea brasileira.

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Fontes

  • Novo Momento

  • SAFRAS & Mercado

  • Money Report

  • Revista Fórum

  • CNN Brasil

  • Senado Federal

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