Uma diadema de bronze de uma necrópole de elite. Fonte: Ministry of Culture of Greece / Greek Reporter
O Enigma da Tiara Invertida: Um Sepultamento de Elite do Século VII a.C. na Beócia, Grécia
Editado por: Iryna Balihorodska
Na Grécia Central, especificamente nas encostas orientais do Lago Kifisida (Copaida), uma descoberta arqueológica de grande relevância emergiu das escavações: um sepultamento singular datado do período Arcaico. A liderança dos trabalhos de campo está a cargo do Eforato de Antiguidades de Ftiótida e Euritânia, uma divisão regional do Ministério da Cultura grego. As intervenções foram realizadas no âmbito de escavações de salvamento, motivadas pela construção de uma estação fotovoltaica, um esforço crucial para resgatar o patrimônio cultural antes que fosse irremediavelmente perdido.
Um conjunto de acessórios funerários luxuosos. Fonte: Ministério da Cultura da Grécia / Heritage Daily
A área desenterrada revelou um cemitério que abrange os períodos Arcaico e Clássico, juntamente com vestígios de um assentamento fortificado. A organização do cemitério é notável, apresentando-se em aglomerados que incluem sepulturas em poços, locais de cremação funerária e túmulos cobertos com telhas. O estudo inicial de quarenta sepulturas já examinadas aponta para um estrato social elevado da população ali sepultada, sugerindo uma comunidade com considerável riqueza, possivelmente composta por grandes proprietários de terras da região.
O achado de maior destaque é, sem dúvida, o túmulo de uma mulher, que na literatura científica foi apelidada de “Dama da Tiara Invertida”. Análises antropológicas preliminares indicam que a indivíduo tinha entre 20 e 30 anos no momento do falecimento. Sobre sua cabeça, foi encontrada uma tiara de bronze com um design incomum: ela ostentava uma grande roseta em formato solar e um friso decorado com a imagem de um par de leões – símbolos tradicionalmente associados ao poder régio. O aspecto mais intrigante, contudo, era o fato de a tiara estar posicionada de cabeça para baixo.
A posição invertida da tiara, segundo a interpretação dos pesquisadores, carrega um peso simbólico profundo, refletindo as intensas transformações sociais e políticas que ocorriam em meados do século VII a.C. Este foi um período em que a monarquia hereditária tradicional começava a ceder espaço para a ascensão de elites aristocráticas, culminando na formação de oligarquias. Assim, este sepultamento não apenas atesta a opulência da mulher, mas também serve como um espelho das complexas dinâmicas sociais da época.
Os ajuntamentos funerários que acompanhavam o túmulo da mulher eram suntuosos. Entre os bens encontrados, destacam-se duas grandes fíbulas beócias com representações equinas, um colar adornado com um pendente em forma de vaso, contas feitas de osso, marfim e âmbar, brincos de bronze, pulseiras e anéis espirais cobrindo cada um de seus dedos. No mesmo aglomerado, os arqueólogos identificaram o enterro de uma menina de quatro anos, também adornada com uma tiara e joias similares, o que sugere uma relação de parentesco próxima com a nobre mulher.
Adicionalmente, outras sepulturas dentro do cemitério forneceram informações valiosas sobre a cultura material da área. Entre os artefatos recuperados, encontram-se cerâmicas de figuras negras e de verniz negro, além de cálices e vasos de bronze que parecem estar ligados à oficina de Acraífia. Tais achados são cruciais para a reconstrução das práticas funerárias e da estrutura social da Beócia durante os séculos VII e VI a.C.
Os trabalhos arqueológicos estão em pleno andamento. Estão sendo empregadas metodologias analíticas de ponta, incluindo o estudo antropológico dos restos mortais, fotogrametria e modelagem tridimensional dos objetos recuperados. Conforme expressou o Dr. Evgenios Papadopoulos, responsável pelas escavações, “cada sepultamento transcende a noção de mero tesouro; é uma janela direta para o passado, permitindo-nos decifrar a vida e as relações sociais dos habitantes da Beócia Arcaica”.
Fontes
GreekReporter.com
HeritageDaily
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