С помощью телескопа «Ферми» НАСА исследователи обнаружили мощное гамма-излучение, исходящее из «галоподобной» структуры, окружающей Млечный Путь.
A existência da matéria escura, essa substância invisível detectada apenas pelos seus efeitos gravitacionais, permanece um dos pilares centrais da cosmologia moderna. Recentemente, o Professor Tomonori Totani, da Universidade de Tóquio, divulgou uma análise que pode representar a primeira evidência observacional direta dessa componente misteriosa do Universo, que se estima constituir cerca de 27% da massa-energia cósmica.
No dia 26 de novembro de 2025, o Professor Totani publicou no prestigiado Journal of Cosmology and Astroparticle Physics os resultados do processamento de um extenso conjunto de dados acumulados ao longo de quinze anos pela observatório espacial Fermi, da NASA. A investigação revelou um brilho residual de raios gama, com formato de halo, emanando da região central da Via Láctea, após a meticulosa subtração de todas as fontes de emissão conhecidas. O pico de energia fotônica registrado, precisamente na marca de 20 gigaeletrons-volts (GeV), alinha-se de forma notável com o espectro teórico previsto para o processo de aniquilação das hipotéticas partículas massivas de interação fraca, ou WIMPs.
Estes achados sugerem que a massa dessas partículas WIMP poderia estar em torno de 500 vezes a massa do próton. Se tais dados forem corroborados, isso significaria que a humanidade teria, pela primeira vez, 'visto' a matéria escura, implicando a descoberta de uma nova partícula fundamental que transcende o Modelo Padrão da física. Vale lembrar que o conceito de matéria escura foi introduzido no debate científico na década de 1930 pelo astrônomo Fritz Zwicky, ao observar anomalias na rotação das galáxias no aglomerado de Coma, onde a massa visível era insuficiente para manter a coesão gravitacional do sistema.
Adicionalmente, em 1932, o astrônomo holandês Jan Oort aprimorou a estimativa da densidade de matéria escura, especulando que ela poderia ser composta por estrelas pouco luminosas ou até mesmo matéria meteorítica. Contudo, a comunidade científica, embora reconhecendo a magnitude da potencial descoberta, mantém a cautela. É fundamental, como apontam especialistas, excluir completamente outras fontes astrofísicas em regiões tão densas quanto o centro galáctico.
O Professor Justin Read, da Universidade de Surrey, por exemplo, levantou um ponto pertinente: a ausência de sinais comparáveis vindos de galáxias anãs, que são ricas em matéria escura. Da mesma forma, a Professora Kinwah Wu, da UCL, enfatizou a necessidade de 'provas extraordinárias' para sustentar uma alegação tão impactante. O próprio Professor Totani concorda que a validação final exige a detecção de raios gama com assinatura espectral idêntica em outros locais de alta densidade de matéria escura, como as galáxias anãs.
Décadas de esforços experimentais, incluindo a busca por WIMPs utilizando detectores terrestres e aceleradores como o Grande Colisor de Hádrons (LHC), ainda não produziram resultados conclusivos. Paralelamente, experimentos baseados em xenônio, como o LZ, estabeleceram limites rigorosos para as WIMPs, enquanto projetos como o Global Argon Dark Matter Collaboration, fundado em 2017, continuam a desenvolver detectores baseados em gases nobres para explorar outras faixas de massa. Os resultados atuais representam, portanto, um momento crucial, ainda que não definitivo, nesta busca científica que já dura quase um século.