Vínculo Pré-Natal: Pilar para a Regulação Emocional e Competência Parental Pós-Parto

Editado por: Olga Samsonova

A ciência atual confirma que o estabelecimento de uma comunicação verbal durante a gestação é um indicador significativo de maior acessibilidade, sensibilidade e empatia parental após o nascimento. A Dra. Maria Jacqueline de Vicq, coordenadora técnica de Saúde Mental do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), salienta que a formação desse laço afetivo na gestação é essencial, sendo frequentemente estabelecida por meio do contato com o feto, seja pela fala ou pelo toque na barriga. Essa interação precoce contribui para a identidade materna e facilita uma vivência mais estável da gravidez, auxiliando a gestante a lidar com as incertezas de cada trimestre, como o receio de aborto no início ou a ansiedade relacionada ao parto no final.

O vínculo materno-fetal inicial revela-se um elemento fundamental para o desenvolvimento infantil, especialmente na estruturação da autossuficiência emocional da criança. Pesquisas indicam que a ansiedade e os fatores de estresse maternos durante a gestação têm sido correlacionados a níveis elevados de atividade motora fetal e a um aumento na variabilidade da frequência cardíaca fetal. Em contraste, uma conexão pré-natal consciente atenua significativamente o estresse e a ansiedade materna, promovendo uma sensação de controle e estabilidade, um estado de calma que se transmite ao sistema emocional do feto.

Programas de intervenção pré-natal, como o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento do Ministério da Saúde, têm como propósito munir a gestante para gerenciar melhor o estresse do parto e dos cuidados iniciais com o recém-nascido. Os pais que se envolvem regularmente com a criança ainda não nascida relatam um aumento em sua competência e confiança nas habilidades parentais. Um apego pré-natal robusto facilita as interações pós-natais, impactando positivamente a amamentação e a capacidade de resposta às necessidades da criança.

Estudos demonstram que crianças cujos pais cultivaram uma conexão presente antes do nascimento frequentemente exibem menor irritabilidade e maior facilidade de consolo após o parto. A psicóloga Maria Jacqueline de Vicq sugere que o desejo maternal pode manifestar-se desde o início da gestação, com a identidade de mãe se desenvolvendo gradativamente com o avanço da gravidez. Metodologias eficazes para fomentar esse apego incluem práticas como o toque, a audição de música e exercícios de relaxamento, elementos que promovem a sincronia entre mãe e feto. O suporte do parceiro durante e após a gestação é reconhecido como um fator crucial para otimizar a fixação mãe-bebê e assegurar um desenvolvimento socioemocional positivo para a criança.

A ausência de vínculo pode estar associada a traços de agressividade e tristeza na criança, sublinhando a importância do cuidado afetivo bilateral, conforme defendido por modelos de interação mãe-bebê adotados desde a década de 60. A assistência psicológica no pré-natal, por meio de conceitos como o Pré-Natal Psicológico (PNP), é defendida como um instrumento psicoprofilático essencial para prevenir a depressão pós-parto (DPP), integrando a família ao processo gravídico-puerperal.

O desenvolvimento da personalidade e saúde mental da criança, segundo psiquiatras como John Bowlby, baseia-se na vivência de uma relação satisfatória e contínua de amor com a mãe. A competência materna, que abrange funções como o holding e o handling descritas por Winnicott, é construída sobre a base das necessidades físicas e psíquicas do bebê, com a mãe sendo "suficientemente boa" para satisfazê-las. A atenção a essa condição durante o pré-natal é fundamental, pois pode reduzir o mal-estar materno e ter um efeito deletério na construção da ligação pais-criança, conforme estudos citados por Hertling-Schaal et al. O investimento em estratégias que fortaleçam a competência materna, como as abordagens educativas propostas em programas de pré-natal, é vital para um desfecho satisfatório no pós-parto e para o desenvolvimento pleno da criança.

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Fontes

  • bibaleze.si

  • MDPI

  • MDPI

  • MDPI

  • Bibaleze.si

  • The Independent

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