Representantes de cerca de 180 países estão reunidos em Genebra, com o objetivo de finalizar um tratado global juridicamente vinculativo para enfrentar a crise da poluição plástica. As discussões, que se estendem até 14 de agosto de 2025, visam estabelecer um acordo que abranja todo o ciclo de vida do plástico, desde a produção até o descarte.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) coordena as negociações, ressaltando os graves riscos ambientais e de saúde associados à poluição plástica. A expectativa é que o tratado impulsione uma mudança em escala global na economia dos plásticos, promovendo a redução, a circulação e a prevenção da poluição.
Um dos principais pontos de discussão é se o tratado deve incluir metas obrigatórias de redução da produção de plástico. Enquanto alguns países defendem a limitação da produção para combater a poluição na origem, outros se opõem a essa medida.
A Coalizão Empresarial por um Tratado Global sobre Plásticos, que reúne mais de 200 empresas, incluindo Coca-Cola e Nestlé, tem pedido aos governos que formalizem um tratado com regras e medidas obrigatórias. Essa coalizão apoia regras globais que abrangem todo o ciclo de vida do plástico, visando reduzir significativamente o volume de plástico mal descartado no mundo.
Estudos indicam que, se nenhuma medida for tomada, a quantidade de resíduos plásticos poderá triplicar até 2060. A reciclagem, por si só, não será suficiente para resolver a crise, sendo necessária uma transformação sistêmica para uma economia circular. O tratado busca estabelecer compromissos nacionais e a promulgação de leis para gerenciar melhor o lixo plástico.
A poluição plástica representa uma ameaça crescente à saúde humana e aos ecossistemas. Microplásticos foram encontrados em diversas partes do corpo humano, com indícios de relação com doenças cardiovasculares e disfunções hormonais. A necessidade de um tratado global ambicioso e eficaz é cada vez mais urgente.
Espera-se que o tratado estabeleça regulamentações mais rigorosas sobre itens plásticos de uso único e incentive a medição da pegada de plástico pelas empresas, bem como a colaboração com governos e esquemas de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR).
As negociações em Genebra representam uma oportunidade crucial para os países se unirem em um esforço global para combater a poluição plástica e proteger o meio ambiente.