Atlântico como espaço de memória: Mário Lúcio apresenta a antologia «Mar e Terra»

Editado por: Inna Horoshkina One

Mario Lucio / Simentera - Tabankamor

O músico, compositor e escritor cabo-verdiano Mário Lúcio apresentou o seu novo álbum «Antologia Pessoal: Mar e Terra», que inaugura uma série de cinco lançamentos previstos para o primeiro semestre de 2026. O projeto conta com a participação da empresa brasileira Nikita Music e torna-se uma parte fundamental do diálogo musical contínuo entre a África e o Brasil através do espaço atlântico.

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Não se trata apenas de um álbum. É um mapa musical das rotas oceânicas da memória.


Cabo Verde como encruzilhada do Atlântico

A trama musical desta antologia funde os géneros tradicionais do arquipélago:

morna
funaná
batuque
coladeira

com elementos de:

jazz
música latino-americana
e MPB — a tradição popular brasileira formada no cruzamento entre as culturas europeia e afro-atlântica.

Assim nasce uma sonoridade em que o oceano deixa de ser distância e se torna conexão.


Fraternidade atlântica de vozes

A gravação contou com a participação de destacados intérpretes brasileiros:

Djavan
Milton Nascimento
Paulinho da Viola

Um lugar de destaque é ocupado pela composição «Hino a Gratidão», gravada em dueto com Djavan — um reconhecimento musical de gratidão às raízes culturais e às rotas que unem as margens do Atlântico.

Esta colaboração soa como um diálogo entre continentes.


A música como regresso às origens

Mário Lúcio não é apenas um intérprete, mas também um arquiteto cultural da identidade contemporânea de Cabo Verde. Foi Ministro da Cultura do país entre 2011 e 2016 e, anteriormente, fundou o grupo Simentera, que desempenhou um papel fundamental no resgate da sonoridade acústica da tradição nacional para os palcos modernos.

A nova antologia dá continuidade a essa linhagem:

música como memória
música como gratidão
música como ponte

entre ilhas e continentes.

«Mar e Terra» como fórmula de identidade

O título do álbum — Mar e Terra — reflete a natureza dual de Cabo Verde:

o oceano como caminho
a terra como raiz

É precisamente esta combinação que molda a resiliência cultural do arquipélago ao longo dos séculos.

Neste projeto, ouve-se mais do que a voz de um único autor — ouve-se a voz do Atlântico enquanto espaço cultural.

Diálogo atlântico na era do streaming

O lançamento da antologia ocorre num momento de crescimento sustentado do mercado musical brasileiro, que em 2025 alcançou a oitava posição entre os maiores mercados mundiais. A expansão das plataformas de streaming reforça as possibilidades de intercâmbio cultural transoceânico, permitindo que projetos deste tipo ecoem simultaneamente em diferentes partes do mundo.

A música volta a ser uma rota. Mas agora, uma rota digital.


O que este evento acrescentou à sonoridade do planeta?

Recordou que o oceano une culturas de forma tão natural como une as suas margens.

A música de Cabo Verde continua a soar como a língua do Atlântico — um espaço de encontros, migrações e memória.

E aqui as palavras de Gilberto Gil ressoam com especial precisão:

A música é a energia que liga as pessoas.

Hoje, essa energia volta a atravessar o Atlântico — das ilhas de Cabo Verde até às costas do Brasil e daí para o resto do mundo.

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Fontes

  • Tribuna do Sertão

  • Balai Kultural

  • Inforpress

  • Um Mar de Mar

  • Expresso das Ilhas

  • Educadora FM 107.5

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