
Um comprimido reduz o colesterol ruim em 60%.
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Autor: Svetlana Velhush

Um comprimido reduz o colesterol ruim em 60%.
Os resultados deste abrangente ensaio clínico de fase III, publicados no prestigiado The New England Journal of Medicine em fevereiro de 2026, sugerem que a era das aplicações injetáveis frequentes para o controle da hipercolesterolemia pode estar chegando ao fim. O enlicitide provou ser capaz de reduzir o colesterol LDL em uma faixa que varia entre 55,8% e 60%, um feito anteriormente restrito ao uso de anticorpos monoclonais de alto custo administrados via seringa.
O funcionamento do enlicitide baseia-se na sua atuação como um inibidor oral da proteína PCSK9. Em condições biológicas normais, essa proteína se vincula aos receptores de LDL localizados na superfície do fígado, promovendo a destruição desses receptores e dificultando a limpeza do colesterol no sangue.
Ao bloquear a ação da PCSK9, o medicamento promove um aumento significativo na densidade de receptores nas membranas das células hepáticas. Esse processo permite que o fígado capture e remova o colesterol prejudicial da circulação sanguínea de maneira muito mais eficiente e contínua.
A Dra. Ann Marie Navar, renomada cardiologista do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas e autora principal da pesquisa, destacou a relevância clínica dessa inovação. Segundo a especialista, menos da metade dos pacientes que sofrem de aterosclerose consegue atingir as metas ideais de colesterol utilizando apenas as estatinas convencionais.
A Dra. Navar enfatiza que uma terapia por via oral com este nível de potência tem o potencial de transformar radicalmente o manejo da doença. A implementação de um tratamento tão eficaz e acessível pode ser a chave para prevenir milhares de episódios de infarto e acidentes vasculares cerebrais em escala global.
Entretanto, a utilização do novo fármaco exige uma disciplina rigorosa por parte do paciente: o comprimido deve ser ingerido obrigatoriamente em jejum, pelo menos 30 minutos antes do café da manhã. Essa recomendação é crucial, pois a presença de alimentos no trato digestivo reduz drasticamente a capacidade de absorção do princípio ativo pelo organismo.
Atualmente, a comunidade científica internacional acompanha com atenção o desdobramento do estudo CORALreef Outcomes. O objetivo desta nova etapa é confirmar se a expressiva melhora nos indicadores laboratoriais de colesterol se traduzirá, de fato, em uma redução real na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares.
Embora os dados definitivos sobre os desfechos clínicos sejam esperados apenas para o ano de 2029, a Merck já iniciou os preparativos para solicitar o registro acelerado do enlicitide junto à agência reguladora norte-americana, a FDA. O sucesso deste medicamento representa um marco histórico na cardiologia, oferecendo uma nova perspectiva para milhões de pessoas que buscam proteger a saúde do coração de forma menos invasiva.
UT Southwestern Newsroom: Официальный пресс-релиз ведущего медицинского центра США