Ajustes Dietéticos na Terceira Idade Podem Adicionar Anos à Expectativa de Vida, Indicam Estudos

Editado por: Olga Samsonova

Pesquisas científicas, incluindo trabalhos de instituições como a Universidade de Bergen e a Johns Hopkins, correlacionam a melhoria da qualidade alimentar após os 60 anos com um potencial acréscimo de até dez anos na expectativa de vida dos indivíduos. Os dados demonstram a plasticidade do organismo humano e sua capacidade de responder a intervenções nutricionais mesmo em idades avançadas, sugerindo que mudanças dietéticas implementadas aos 80 anos ainda podem estender a vida em cerca de três anos.

A chave para o prolongamento da vida reside na substituição de alimentos ultraprocessados e carnes vermelhas por fontes vegetais, como leguminosas, grãos integrais e oleaginosas. O padrão da Dieta Mediterrânea, validado por estudos, exemplifica essa abordagem, sendo caracterizado pela ingestão abundante de frutas, vegetais, peixes e azeite de oliva como gordura primária. Essa estrutura alimentar está consistentemente associada à diminuição dos riscos de hipertensão, acidente vascular cerebral e obesidade, alinhando-se às diretrizes de especialistas sobre regimes anti-inflamatórios.

Em contraste, a comunidade científica alerta rigorosamente contra o consumo frequente de carnes processadas e produtos ultraprocessados, ligando-os ao aumento da incidência de riscos cardiovasculares e neurodegenerativos em adultos mais velhos. A redução desses itens, que são fontes de açúcares adicionados e gorduras não saudáveis, comprovadamente melhora a sensibilidade à insulina e diminui a gordura visceral em adultos com mais de 65 anos. O foco em fibras, bem como em produtos fermentados e probióticos, é crucial para a saúde do microbioma intestinal, fator reconhecido na determinação da longevidade e da função imunológica.

Estratégias de longevidade não se restringem apenas à composição dos alimentos, incorporando também a gestão do tempo das refeições, como o jejum com tempo restrito, para otimizar o controle da glicemia e a redução da gordura abdominal. A sinergia entre nutrição adequada e atividade física regular é considerada essencial para um envelhecimento robusto. A recomendação estabelecida inclui 150 minutos semanais de exercício aeróbico, complementados por treinamento de resistência, fundamental para a manutenção da densidade óssea e da massa muscular, prevenindo a sarcopenia.

Estudos integrados, como um publicado na eClinicalMedicine, indicam que a combinação de melhorias significativas em sono, exercício e alimentação pode gerar um ganho de até nove anos de vida para aqueles com hábitos menos saudáveis, ao considerar os comportamentos como um conjunto integrado. Modelos de simulação sugerem que a adoção de um padrão alimentar otimizado, priorizando grãos integrais, leguminosas, frutas, vegetais e peixes, e restringindo carnes vermelhas e processadas, pode aumentar a expectativa de vida em mais de uma década para mulheres e mais de 13 anos para homens, se iniciada aos 20 anos. Tais descobertas reforçam a visão de que fatores dietéticos são determinantes, sendo estimados como causadores de 11 milhões de mortes globalmente, segundo dados do Global Burden of Disease.

A implementação de políticas públicas, como a taxação de ultraprocessados e subsídios a alimentos in natura, é sugerida como um caminho para mitigar os impactos negativos na saúde pública, considerando que, no Brasil, esses produtos podem representar cerca de 15% das calorias consumidas, conforme dados do IBGE entre 2017 e 2018.

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Fontes

  • Diario EL PAIS Uruguay

  • Prensa Mercosur

  • EL TIEMPO

  • Infobae

  • Corresponsables

  • canal26.com

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