Cientistas chineses sintetizam diamante hexagonal puro (lonsdaleíta), confirmando dureza superior à do diamante cúbico

Editado por: Tatyana Hurynovich

Uma equipe de pesquisadores da China, sob a coordenação do físico Chunxing Shan da Universidade de Zhengzhou, anunciou a criação bem-sucedida de amostras volumétricas e puras de diamante hexagonal, material popularmente conhecido como lonsdaleíta. O estudo, cujos detalhes foram divulgados em março de 2026, representa o ápice de décadas de investigação científica sobre as propriedades fundamentais deste alótropo de carbono.

Para alcançar a síntese de amostras milimétricas de diamante hexagonal puro (DH), os especialistas submeteram grafite de alta ordenação a condições extremas por um período contínuo de dez horas. O processo exigiu uma pressão de 20 gigapascais — o equivalente a cerca de 200.000 atmosferas terrestres — e temperaturas oscilando entre 1.300 e 1.900 graus Celsius. Um dado relevante observado foi que o aumento adicional desses parâmetros resultava na reversão do DH para o diamante cúbico tradicional, oferecendo novos insights sobre as transições de fase do carbono.

Os dados experimentais obtidos validaram a superioridade mecânica do novo material, registrando uma dureza Vickers de aproximadamente 114 GPa para a lonsdaleíta sintetizada. Este valor supera os 110 GPa característicos do diamante cúbico natural, alinhando-se a modelos computacionais prévios que sugeriam que o DH poderia ser até 58% mais resistente que sua contraparte cúbica (DC). O trabalho conjunto de cientistas da Universidade de Jilin e da Universidade Sun Yat-sen encerra uma longa disputa acadêmica sobre a natureza da lonsdaleíta, confirmando-a como um mineral único e não apenas uma forma defeituosa do diamante comum.

Historicamente, a lonsdaleíta recebeu este nome em homenagem à cristalógrafa Kathleen Lonsdale, após sua descoberta inicial em 1967 em meteoritos como o "Canyon Diablo". No entanto, a pureza das amostras naturais sempre foi questionada devido à presença constante de impurezas de grafite e diamante cúbico. Estruturalmente, a lonsdaleíta possui uma rede hexagonal (2H, sequência de camadas ABAB), diferenciando-se da rede cúbica de três camadas (3C) do diamante convencional. Enquanto pesquisas anteriores, realizadas sob pressões menores (7 a 13 GPa), produziam apenas camadas microscópicas, a equipe de Chunxing Shan obteve dimensões milimétricas, essenciais para medições precisas.

Este avanço científico carrega implicações tecnológicas imediatas e profundas. A confirmação de sua dureza excepcional e de uma resistência superior à oxidação abre portas para aplicações práticas em diversos setores industriais. Entre as possibilidades mais promissoras destacam-se:

  • Desenvolvimento de revestimentos abrasivos com durabilidade sem precedentes;
  • Fabricação de ferramentas de corte e perfuração de alta performance;
  • Implementação de sistemas avançados de dissipação de calor em eletrônicos de alto desempenho.

Os próximos passos da comunidade científica envolverão o aprimoramento das técnicas de produção para permitir o escalonamento industrial. O objetivo final é garantir que este material superduro esteja disponível para o mercado global, transformando a engenharia de materiais e as capacidades de processamento industrial em larga escala.

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Fontes

  • CNN.gr

  • Live Science

  • Nature

  • The Times of India

  • The Brighter Side of News

  • Gizmodo

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