Sindicatos Franceses Convocam Greves Nacionais em Protesto Contra Medidas Fiscais do Governo

Editado por: Татьяна Гуринович

Paris – Sindicatos franceses anunciaram greves e protestos em todo o país para 18 de setembro de 2025, em oposição às medidas fiscais propostas pelo governo para o ano de 2026. A ação sindical ocorre em um contexto de acentuada instabilidade política e econômica, com o governo minoritário do Primeiro-Ministro François Bayrou enfrentando um voto de confiança em 8 de setembro e uma forte oposição a um aperto orçamentário de 44 bilhões de euros.

Marylise Leon, líder da CFDT, um dos maiores sindicatos, classificou o orçamento proposto como um "show de horrores", reafirmando o compromisso da organização em bloqueá-lo. Outros sindicatos, como a CGT, também apresentaram demandas por justiça fiscal, aumento salarial e o cancelamento da reforma da previdência. Paralelamente, um movimento antigovernamental denominado "Bloquons tout" (Vamos bloquear tudo), com apoio da esquerda, convocou um protesto nacional separado para 10 de setembro.

A crise fiscal que afeta a França é resultado de anos de gastos excessivos, com o déficit público projetado para permanecer acima de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, excedendo o teto de 3% estabelecido pela União Europeia. A dívida pública francesa deve ultrapassar 120% do PIB até 2029. O plano de Bayrou para controlar o déficit inclui cortes de gastos, congelamento de pensões e a eliminação de dois feriados públicos, medidas que têm gerado forte resistência.

A fragilidade do governo minoritário de Bayrou é agravada pela fragmentação parlamentar. A oposição, composta por partidos de direita e esquerda, já indicou sua intenção de votar contra o governo na moção de confiança. Caso Bayrou perca, o Presidente Emmanuel Macron poderá nomear um novo primeiro-ministro ou convocar eleições antecipadas, o que poderia prolongar o período de instabilidade política e econômica.

O cenário atual evoca comparações com o movimento dos "Coletes Amarelos" de 2018, que iniciou como um protesto contra o aumento de impostos sobre combustíveis, mas evoluiu para um descontentamento mais amplo com as políticas econômicas do governo. Embora os "Coletes Amarelos" tenham conseguido a revogação do imposto sobre combustíveis, o movimento demonstrou o potencial de insatisfação popular em larga escala e seu impacto na política francesa.

Líderes empresariais expressaram preocupação com os riscos que essa crise política representa para a economia francesa, alertando para possíveis impactos em setores como turismo e hotelaria. Estudos anteriores, no entanto, sugerem que o impacto geral das greves na economia francesa tende a ser limitado e compensado a médio prazo. A situação atual coloca a França em um ponto crítico, onde as decisões a serem tomadas nos próximos dias terão repercussões significativas para sua estabilidade econômica e política.

Fontes

  • Reuters

  • Reuters

  • Reuters

  • AP News

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