A próxima semifinal entre o PSG e o Bayern de Munique já não é apenas futebol. É o embate entre dois dos mais poderosos centros de processamento de dados da Europa. Enquanto os adeptos discutem o génio de Kvaratskhelia ou a forma fenomenal de Kane, nos bastidores, supercomputadores simulam esta partida milhares de vezes antes mesmo de os jogadores iniciarem o aquecimento.
Pela primeira vez na história da Liga dos Campeões, ambos os clubes confirmaram oficialmente a utilização de sistemas de "gémeos digitais". O que é que isto proporciona? A equipa técnica de Luis Enrique já não especula sobre como Vitinha se comportará sob pressão. O modelo simula a biomecânica e a carga cognitiva de cada jogador. Isto permite prever "pontos de fadiga" e os momentos em que a estrutura de pressão do Bayern poderá ceder.
Vincent Kompany responde com um futebol vertical, calculado ao milímetro. O seu Bayern lidera na intensidade de pressão (PPDA), o que não é um acaso, mas o resultado de algoritmos que otimizam as rotas de cobertura de zonas. Resta saber se, num jogo assim, ainda haverá espaço para a imprevisibilidade humana?
As estatísticas da Opta dão, neste momento, um ligeiro favoritismo aos bávaros: 52% de probabilidade de chegar à final. Contudo, o PSG, enquanto atual campeão, detém uma "experiência de grandes vitórias" que é difícil de digitalizar. A probabilidade de os parisienses defenderem o título é estimada em 21%, o que os torna um candidato extremamente perigoso.
A longo prazo, esta digitalização leva a uma redução de lesões e ao aumento do espetáculo. Estamos a assistir a um futebol de velocidades extremas, onde cada erro não é um acaso, mas uma falha no código. Será que isto nos ajudará a compreender melhor a própria natureza do jogo, ou estaremos a transformar definitivamente o desporto numa batalha de servidores?
Uma coisa é certa: a 28 de abril, em Paris, veremos a versão mais sofisticada do futebol que a civilização moderna pode oferecer.



