Grammy 2026: Mudança de Tom, Novas Vozes e o Fim de uma Era na CBS

Editado por: Inna Horoshkina One

Assista Kendrick Lamar, Bruce Springsteen, Ed Sheeran e outros vencerem o Grammy de Canção do Ano

Em 1º de fevereiro de 2026, a Crypto.com Arena, em Los Angeles, será o palco da 68ª cerimônia de entrega do Grammy Awards. Este evento é amplamente visto como um momento de transição crucial para toda a indústria fonográfica global. A Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravação confirmou que Harry Styles e Doechii participarão ativamente da noite, assumindo o papel de apresentadores de categorias específicas.

Esta edição marca a 23ª vez que a premiação ocorre na Crypto.com Arena, mas carrega um peso histórico adicional por ser a última transmissão realizada pela rede de televisão CBS. A partir de 2027, o Grammy migrará definitivamente para o ecossistema de streaming da Paramount+. Essa mudança simboliza a transição da televisão linear para o consumo puramente digital de grandes espetáculos musicais.

O retorno de Harry Styles aos holofotes da premiação coincide estrategicamente com o início de uma nova fase em sua carreira artística. Seu quarto álbum de estúdio, intitulado Kiss All the Time. Disco, Occasionally., tem lançamento agendado para 6 de março de 2026. Este trabalho representa o primeiro grande projeto do artista após um hiato de quase três anos desde o aclamado Harry’s House, que venceu o prêmio de Álbum do Ano.

O single principal, Aperture, lançado em 22 de janeiro, já recebeu elogios da crítica especializada por sua sonoridade inovadora. Além do novo disco, Styles anunciou a turnê mundial Together, Together, que planeja percorrer cerca de 50 cidades ao redor do globo. O retorno do cantor é interpretado não apenas como um retorno, mas como a defesa de um formato que valoriza álbuns completos e experiências ao vivo.

Por outro lado, Doechii chega à temporada de premiações como uma das figuras mais influentes e comentadas da cena contemporânea. Seu projeto Anxiety e a faixa homônima, que utiliza elementos do clássico Somebody That I Used to Know, exemplificam como a memória pop da última década é reinterpretada. Ela utiliza uma linguagem que mistura vulnerabilidade e a estética da cultura de formas curtas.

A presença de Doechii no palco principal do Grammy não é apenas um gesto de diversidade, mas um sinal claro de como o centro das conversas musicais evolui. Ela representa a urgência e a nova sensibilidade que dominam as paradas atuais. Sua participação como apresentadora reforça a conexão da Academia com as tendências que definem o comportamento do público jovem.

A condução da cerimônia ficará novamente a cargo de Trevor Noah, que assume o papel de mestre de cerimônias pela sexta vez consecutiva. Com esse feito, Noah iguala o recorde histórico de Andy Williams em número de anos seguidos na função. Sua permanência no cargo demonstra a confiança da organização em seu estilo de apresentação que equilibra humor e profissionalismo.

No entanto, esta será a despedida oficial do apresentador, encerrando uma era em que o Grammy buscou uma abordagem mais leve e humanizada. Sob a liderança de Noah, a premiação aprendeu a ser menos formal e mais irônica, aproximando-se dos telespectadores de uma forma mais direta e pessoal. Sua saída marca o fim de um ciclo de estabilidade na condução do evento.

No campo das competições, Kendrick Lamar lidera o número de indicações deste ano, consolidando sua posição como um dos maiores pilares da música atual. Entre as performances já confirmadas para a grande noite, destacam-se nomes como Sabrina Carpenter e a dupla Clipse, que se apresentará ao lado de Pharrell Williams. A diversidade de gêneros promete uma noite rica em colaborações.

Um momento especial está sendo preparado para reunir todos os oito indicados na categoria de Artista Revelação no palco. Esta iniciativa da Academia visa dar visibilidade direta àqueles que estão moldando a sonoridade das próximas gerações. É um gesto que reforça o compromisso da premiação em identificar e celebrar o futuro da música em tempo real.

O Grammy 2026 assemelha-se a uma modulação musical, funcionando mais como uma transição harmônica do que como o encerramento de uma frase. A troca de plataformas, a renovação de papéis e a alternância de protagonistas evocam o princípio da polifonia. Assim como nas obras de Bach, cada voz mantém sua autonomia, mas é a união de todas que constrói o todo.

Enquanto Styles foca na estrutura clássica do álbum e Doechii captura a energia do momento, a própria cerimônia se adapta ao mundo digital. A saída da televisão tradicional para o streaming marca o início de uma nova forma de conexão com a audiência global. A música deixa de habitar uma única tela para se tornar um fluxo constante e onipresente.

A arquitetura do evento agora busca unir diferentes vozes e estilos em uma única harmonia coerente. A tradição não é abandonada, mas sim reorganizada para refletir a complexidade da produção musical moderna. O foco recai sobre a capacidade de conectar o passado e o futuro em um único ambiente de celebração artística.

Nesse novo cenário, o Grammy deixa de ser apenas um tribunal de gostos para se consolidar como o espelho mais fiel do nosso tempo. É uma celebração que abraça a mudança tecnológica e a evolução artística como partes essenciais da cultura. O evento de 2026 será lembrado como o ponto onde a tradição encontrou definitivamente a inovação digital.

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Fontes

  • News18

  • 68th Annual Grammy Awards - Wikipedia

  • Harry Styles, Doechii To Present At The 2026 Grammys - Billboard Philippines

  • Harry Styles and Doechii Announced as Presenters At The 2026 Grammys

  • Harry Styles and Doechii set to take the Grammy stage this Sunday

  • Kiss All the Time. Disco, Occasionally - Wikipedia

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