Christophe Chassol lança "Funny How?": a música que brota do riso e da fala cotidiana

Editado por: Inna Horoshkina One

O 21º ano de sonhos — e agora o riso, a fala e as pausas soam como um coral.

O virtuoso compositor, arranjador e pianista francês Christophe Chassol acaba de apresentar ao mundo seu quinto álbum de estúdio, intitulado "Funny How?". Com este lançamento, ele solidifica e expande sua inovadora técnica de "Ultrascores", um método artístico onde a realidade bruta é convertida em uma partitura musical sofisticada e estruturada.

Christophe Chassol cz II /Enter Festival 2022

Neste novo capítulo de sua carreira, Chassol realiza um avanço notável ao integrar de forma orgânica a fala cotidiana e elementos da comédia stand-up na textura de suas composições. Essa abordagem confere ao disco uma aura mais teatral e viva, tornando a obra acessível sem perder a densidade intelectual que o consagrou no cenário internacional.

Chassol é um ex-aluno da prestigiada Berklee College of Music e um colaborador respeitado de artistas globais como Frank Ocean e Solange. Ele continua a aprimorar sua técnica exclusiva, denominada "Harmoniser le réel" (harmonizar o real), que busca encontrar música no caos e na beleza do cotidiano.

A essência desse método reside na transformação de cada detalhe sonoro em arte pura. Para Chassol, o processo segue premissas rigorosas:

  • Cada sílaba da fala humana é analisada minuciosamente para identificar sua frequência.
  • Cada movimento de entonação vocal é convertido em uma nota musical exata dentro de uma escala.

O resultado desse processo é a criação de uma tapeçaria audiovisual densa e envolvente. Nela, o som e a imagem deixam de ser elementos isolados para coexistirem em um campo sensorial unificado, onde o espectador ouve o que vê e vê o que ouve de forma simbiótica.

Embora essa metodologia tenha se originado em seus trabalhos anteriores com cinema e sincronização de imagens, em "Funny How?" ela ganha novos contornos. O artista agora utiliza a comédia como uma fonte rítmica e tonal primária, explorando o tempo e a cadência do humor como base para suas melodias.

Seus projetos anteriores, como "Ultrascores" lançado em 2013 e "Big Sun" de 2015, já haviam demonstrado sua habilidade singular em transformar gravações de campo em música. Chassol capturou a atmosfera vibrante de lugares como a Martinica, convertendo sons ambientais e diálogos locais em estruturas melódicas complexas.

A sonoridade de Chassol é uma fusão elegante de diversos gêneros, situando-se na intersecção entre os seguintes estilos:

  • Jazz e Soul de vanguarda
  • Música eletrônica experimental
  • Elementos da música pop contemporânea

O novo álbum, contudo, ousa ir além ao incorporar elementos de rap, teatro musical e uma dramaturgia voltada para a comédia. Essa expansão estética não apenas atrai novos ouvintes, mas mantém o foco na exploração do som como um processo vivo, dinâmico e em constante evolução.

O termo "Ultrascore" é um conceito autoral que surgiu no momento em que Chassol começou a tratar as faixas de áudio de vídeos como o alicerce fundamental de suas composições. Essa visão transforma o diálogo comum em uma fundação harmônica rica e inesperada para o ouvinte.

Essa abordagem inovadora ecoa as práticas de grandes compositores do século XX, como Leoš Janáček e Béla Bartók. Ambos foram pioneiros ao investigar a melodia intrínseca da fala humana e utilizá-la como material legítimo para suas criações musicais eruditas.

Chassol atualiza essa tradição para a era digital, movendo-se da fala folclórica para os fluxos audiovisuais contemporâneos. Em sua trajetória, ele já aplicou essa técnica a discursos de figuras proeminentes, como Barack Obama, onde a voz do ex-presidente se torna parte integrante da harmonia musical.

A jornada artística de Chassol está profundamente ligada à imagem, refletida em sua participação no projeto "Endless" e em sua parceria duradoura com o selo Tricatel. Ele não se limita a escrever música no sentido tradicional; ele atua como um arquiteto que organiza a realidade em uma harmonia visual e sonora coesa.

Com o lançamento de "Funny How?", uma nova dimensão da percepção humana é revelada ao público. O álbum sugere que a música não é apenas uma forma de expressão da vida, mas que a própria vida, em sua essência, já possui uma sonoridade musical própria e contínua.

O riso, os diálogos espontâneos e até os silêncios entre as palavras são integrados como partes vitais de uma partitura global. Chassol nos lembra que a Terra possui sua própria sinfonia e que cada som cotidiano contribui para essa harmonia coletiva de forma única.

Talvez o gesto mais impactante deste álbum seja o convite à reflexão sobre nossa própria existência no mundo. "Funny How?" nos recorda que já estamos imersos em uma composição grandiosa, uma obra de arte viva que todos nós, coletivamente, ajudamos a criar a cada instante.

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Fontes

  • Les Inrockuptibles

  • Les Inrocks

  • Numéro

  • Chassol

  • Philharmonie de Paris

  • Dave Chappelle - Wikipedia

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