Emergência do Espaço-Tempo a Partir do Emaranhamento Quântico em Contraste com a Gravidade Clássica

Editado por: Irena I

O conceito de temperatura, estabelecido como uma propriedade emergente do movimento molecular, serve atualmente como analogia central na física teórica para investigar se a própria estrutura do espaço-tempo pode surgir de maneira análoga. Esta linha de pesquisa visa identificar a arquitetura fundamental que origina a geometria do universo observável, tendo o emaranhamento quântico como o elemento primordial e mais promissor. A investigação atual se apoia no emaranhamento quântico, fenômeno que Albert Einstein classificou como "ação fantasmagórica à distância". Esse efeito, cuja natureza não-local foi confirmada experimentalmente em 1982 por Alain Aspect, demonstra que a medição de uma partícula em um par emaranhado determina instantaneamente o estado da outra, independentemente da distância que as separa.

Pesquisas teóricas recentes, incluindo trabalhos de Jennifer Lin e colaboradores por volta de 2015, postulam que essas redes de correlações quânticas constituem a base da geometria do espaço-tempo, alinhando-se com o Princípio Holográfico. Trabalhos teóricos mais recentes aprofundaram essa conexão. Em outubro de 2025, Hong Liu, do MIT, publicou uma pesquisa sugerindo que, nesses modelos, o emaranhamento é o que efetivamente conecta dois pontos no espaço. Uma correlação forte entre as partículas implica continuidade espacial, enquanto a ausência de emaranhamento resulta em fragmentação, o que sugere que o espaço pode ser composto por unidades discretas, ou "átomos de espaço". Essa perspectiva, que deriva o espaço-tempo do emaranhamento, está em consonância com a ideia de que a gravidade pode ser uma força secundária emergente, e não uma força fundamental autônoma.

Contudo, o debate sobre a natureza quântica da gravidade foi complexificado no final de 2025 com a publicação de um estudo por Joseph Aziz e Richard Howl na revista Nature. No artigo "Classical theories of gravity produce entanglement", divulgado em outubro de 2025, eles argumentaram que, sob certas condições, a gravidade clássica poderia induzir emaranhamento quântico. Este achado questiona a premissa de que a detecção de emaranhamento induzido pela gravidade seria uma prova definitiva da natureza quântica da gravidade, uma vez que se baseia em teoremas que consideram a interação gravitacional clássica incapaz de transmitir informação quântica. Aziz e Howl, afiliados à Royal Holloway, Universidade de Londres, estenderam a descrição da matéria para o arcabouço da teoria quântica de campos, concluindo que a gravidade clássica pode, através de processos locais e físicos, transmitir informação quântica e gerar emaranhamento. Este artigo gerou controvérsia, com físicos como Marletto e colaboradores publicando contra-argumentos que sugerem que o modelo proposto não produz emaranhamento.

A ideia de testar a natureza quântica da gravidade por meio do emaranhamento induzido gravitacionalmente remonta a uma sugestão de Richard Feynman na década de 1950. Paralelamente, a pesquisa sobre a emergência do espaço-tempo a partir do emaranhamento avançou em 2026. Em fevereiro de 2026, Hollis Williams e sua equipe apresentaram evidências indicando que o emaranhamento pode existir na ausência de uma geometria de espaço-tempo preexistente. Esse resultado fortalece a hipótese de que o espaço-tempo emerge como uma consequência direta da interconexão quântica. Tais descobertas apontam para o "Devir" como um conceito ontológico mais fundamental, sugerindo que o espaço e o tempo podem não possuir adequação absoluta em todas as escalas de observação, como postulado pela mecânica quântica ortodoxa. A confirmação experimental de que o emaranhamento estrutura a malha do espaço-tempo redefiniria a física, transformando o espaço e o tempo mensuráveis de recipientes passivos em ilusões macroscópicas tecidas por fios quânticos, reestruturando a compreensão da realidade em 2026.

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Fontes

  • Passione Astronomia

  • Nature

  • MIT Physics

  • Physics World

  • Quantum Zeitgeist

  • Semantic Scholar

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