Decoerência Quântica: A Emergência da Realidade Clássica e o Paradoxo do Gato de Schrödinger

Editado por: Irena I

A transição fundamental entre o domínio da incerteza quântica e a realidade previsível da física clássica permanece um tema central na ciência contemporânea. A teoria da decoerência busca elucidar como os fenômenos regidos por superposição e funções de onda se resolvem em estados definidos. Embora o material original aponte para um consenso científico emergente por volta de 2026 sobre a natureza desta transição, a pesquisa associada à gestão da decoerência é vital para o avanço de tecnologias como a computação quântica.

No domínio quântico, uma partícula existe em uma sobreposição de múltiplos estados, exemplificada pelo Gato de Schrödinger, simultaneamente vivo e morto até o momento da observação. A Regra de Born estipula as probabilidades de cada estado, e a observação mostra que os efeitos de interferência quântica desaparecem exponencialmente com o aumento do tamanho do sistema. Pesquisadores continuam a explorar o mecanismo exato do colapso da função de onda e a seleção da base que define a realidade observada.

A decoerência quântica, investigada intensamente desde a década de 1980, descreve o mecanismo pelo qual a estrutura clássica emerge do substrato quântico. O fenômeno ocorre quando um sistema interage com seu ambiente de forma termodinamicamente irreversível, impedindo a interferência entre os componentes da superposição. A decoerência não causa o colapso da função de onda, mas explica a observação desse colapso, pois a informação quântica do sistema se dissipa no entorno. Essa perda de coerência confere o comportamento clássico ao sistema, justificando a física clássica como uma aproximação válida para objetos macroscópicos.

Em contraste com a Interpretação de Copenhague, que centraliza o ato de observação, a decoerência sugere que a física clássica é um resultado emergente da mecânica quântica, sem uma barreira nítida. Uma evolução teórica notável é o Darwinismo Quântico, desenvolvido pelo físico Wojciech Zurek, pesquisador do Los Alamos National Laboratory e Professor Albert Einstein na Universidade de Ulm. O Darwinismo Quântico postula que a objetividade clássica surge porque apenas os estados quânticos mais robustos, os "estados ponteiro", sobrevivem à interação ambiental, gerando múltiplas cópias de informação no meio, análogo à seleção natural.

Alternativamente, a Interpretação de Muitos Mundos (IMM), proposta por Hugh Everett III em 1957, elimina o colapso da função de onda, postulando que todos os resultados possíveis ocorrem em universos paralelos ramificados. O trabalho de Zurek busca reconciliar as visões de Copenhague e Muitos Mundos através da teoria da informação, oferecendo uma descrição unificada da emergência da realidade objetiva. A relevância contemporânea reside na necessidade de controlar a decoerência para garantir a viabilidade de algoritmos quânticos complexos, como o algoritmo de Shor, que dependem da manutenção da coerência quântica.

As projeções de mercado para a computação quântica indicam um potencial de geração de valor econômico global entre US$ 450 bilhões e US$ 850 bilhões até 2040, segundo a Boston Consulting Group (BCG). O controle da decoerência é, portanto, um fator determinante para a concretização desse potencial tecnológico e econômico.

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Fontes

  • Sciencepost

  • arXiv.org e-Print archive

  • How Does the Quantum World Becomes Classical | by Siva Ramana H V

  • Physicists unlock a new way to detect tiny fluctuations in spacetime - SciTechDaily

  • The future is quantum - Royal European Academy of Doctors

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