Físicos da UvA Imprimem Gelo Puro em 3D Usando Resfriamento Evaporativo em Vácuo

Editado por: Vera Mo

Pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de Amsterdã anunciaram em dezembro de 2025 uma nova metodologia para manufatura aditiva de estruturas tridimensionais compostas integralmente por gelo puro. A técnica elimina a necessidade de refrigeração externa, substratos frios ou infraestrutura criogênica, dependendo exclusivamente dos princípios termodinâmicos do resfriamento evaporativo natural dentro de uma câmara de vácuo. Como prova de conceito, a equipe conseguiu imprimir uma réplica de árvore de Natal com oito centímetros de altura em cerca de 26 minutos, demonstrando a eficiência do processo.

O estudo, detalhado no preprint do arXiv pelos cientistas Menno Demmenie, Stefan Kooij e Daniel Bonn, explora a extrusão controlada de um jato fino de água em um ambiente de pressão ultrabaixa. Sob o vácuo, a evaporação acelerada das moléculas de água extrai calor latente do líquido restante, forçando-o a um estado super-resfriado, abaixo de 0 °C. Este jato de água super-resfriada, com diâmetro de aproximadamente 16 micrômetros, solidifica-se quase instantaneamente ao tocar o substrato ou a camada anterior, permitindo a construção estável de geometrias complexas camada por camada.

Esta abordagem contrasta significativamente com métodos anteriores, como o desenvolvido pela Universidade Carnegie Mellon em 2022, que exigiam plataformas de construção mantidas a temperaturas específicas, como -35 °C. A técnica da Universidade de Amsterdã representa um avanço em simplicidade operacional e custo ao integrar o jato de água em uma impressora 3D comercial modificada, dispensando o uso de nitrogênio ou hélio líquidos. A solidificação imediata impede problemas comuns de dispersão ou embaçamento observados em outras técnicas de impressão com gelo.

Os cientistas destacam o valor educacional do processo, que permite a observação direta de transições de fase e transferência de calor em um sistema transparente. A pureza do gelo resultante é um fator crítico, pois a estrutura é composta unicamente de água, sem aditivos, o que é fundamental para potenciais aplicações biomédicas, como arcabouços temporários para engenharia de tecidos. Além disso, o processo é limpo, pois a estrutura de gelo retorna à água pura sem resíduos ao reverter o vácuo para pressão normal.

As implicações práticas desta técnica simples e de baixo custo são amplas, estendendo-se à engenharia de sistemas microfluídicos e, em um contexto futuro, à viabilidade de impressão de estruturas no local em ambientes de baixa pressão atmosférica, como em Marte. A capacidade de construir estruturas com alta precisão sem infraestrutura criogênica estabelece um novo ponto de referência para a manufatura aditiva baseada em água.

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Fontes

  • 3DNews - Daily Digital Digest

  • Universiteit van Amsterdam

  • arXiv

  • XDA

  • Research Communities by Springer Nature

  • arXiv

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