Consumo Moderado de Café Associado à Longevidade em Zonas Azuis
Editado por: Olga Samsonova
A ingestão moderada de café, particularmente o espresso, correlaciona-se com os padrões dietéticos observados em centenários de regiões conhecidas como Zonas Azuis, áreas com alta expectativa de vida como Okinawa, Sardenha, Icária, Nicoya e Loma Linda. Pesquisas sugerem que o consumo de até três xícaras diárias está associado a uma redução no risco de mortalidade geral, bem como na incidência de doenças cardiovasculares, câncer e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Um estudo que monitorou 449.563 participantes por mais de doze anos e meio indicou que o café moído pode diminuir o risco de morte por qualquer patologia em até 14% para a versão descafeinada e em 11% para o café solúvel. Os atributos promotores de saúde do café derivam de sua rica composição em polifenóis, notadamente os ácidos clorogênicos, que atuam como agentes antioxidantes potentes. Esses compostos fenólicos neutralizam os radicais livres, combatendo o estresse oxidativo inerente ao processo de envelhecimento.
A ação anti-inflamatória desses ácidos contribui para a mitigação de marcadores inflamatórios, reduzindo a probabilidade de desenvolvimento de demência e complicações cardiovasculares. Pesquisas apontam que o ácido clorogênico pode auxiliar no controle da pressão arterial e na regulação da glicemia, inibindo a resistência à insulina, um fator benéfico na prevenção do diabetes tipo 2. Para otimizar a absorção desses compostos, a ciência sugere preferir torras mais claras, pois o processo de torrefação intenso pode degradar parte dos ácidos clorogênicos.
A metodologia de preparo também influencia a saúde cardiovascular. Recomenda-se o uso de filtros de papel, característicos do método coado, por sua eficácia em reter os diterpenos cafestol e kahweol, compostos oleosos conhecidos por elevar o colesterol LDL. Estudos na Universidade de Almería, Espanha, demonstraram que a transição para café filtrado resultou na diminuição do colesterol total e LDL, com aumento do HDL. Preparos sem filtro de papel, como o café fervido ou o espresso, tendem a concentrar esses diterpenos.
Embora a cafeína proporcione um aumento no metabolismo e nos níveis de energia, o consumo adulto deve ser mantido em um patamar prudente, geralmente limitado a cerca de 400 mg diários, o que equivale aproximadamente a quatro xícaras de café coado. Pesquisadores da Universidade de Uppsala, Suécia, em estudo publicado na *Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases* em fevereiro de 2025, notaram que máquinas de infusão de escritório produziram café com concentrações consideráveis de diterpenos. A Dra. Marilyn Cornelis, da Northwestern Feinberg School of Medicine, aponta que os benefícios do café superam a ação da cafeína, dada a complexidade química da bebida.
A filosofia alimentar das Zonas Azuis, conforme detalhado pelo explorador Dan Buettner, inclui um desjejum farto com alimentos frescos, integrais e locais, como tortilhas de milho nixtamalizado e feijão na Península de Nicoya. Este padrão garante carboidratos complexos de baixo índice glicêmico e um longo período de jejum noturno, complementando os efeitos benéficos associados ao consumo da bebida.
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Fontes
ФАКТЫ
Tea and coffee polyphenols and their biological properties based on the latest in vitro investigations - PMC
Blue Zones Coffee: The Role of Coffee in Longevity and Health - Mécène Market
Science Confirms: Coffee Can Add Years to Your Life - Blue Zones
Mastering the Grind: How to Optimize Your Espresso Workflow for 2026
Where Espresso is Headed: 2026 and Beyond - Clive Coffee
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