Afeganistão: Quatro Anos de Regresso Talibã Marcados por Protestos e Mandados do TPI por Perseguição de Género
Editado por: Tatyana Hurynovich
Quatro anos após o regresso do Talibã ao poder no Afeganistão, o país assinala esta data com celebrações em Cabul, mas o ambiente é de profunda restrição, especialmente para as mulheres e raparigas. A data de 15 de agosto de 2025 marca o fim de um período de quatro anos sob o domínio do Talibã, um período caracterizado por uma repressão crescente dos direitos humanos, particularmente contra o sexo feminino. Em Cabul, as comemorações incluíram a dispersão de flores de helicópteros e discursos de membros do governo, mas as mulheres foram explicitamente excluídas destes eventos. Desde 2021, o Talibã tem imposto uma interpretação rigorosa da lei islâmica, resultando em severas limitações para mulheres e raparigas, incluindo a proibição de acesso à educação para além da sexta classe, a exclusão da maioria das profissões e a restrição de acesso a muitos espaços públicos. O líder do Talibã, Hibatullah Akhundzada, apelou à gratidão pelo regime islâmico e aconselhou os ministros a removerem o termo "em exercício" dos seus títulos.
Em resposta a esta situação, grupos de defesa dos direitos das mulheres afegãs organizaram protestos em províncias como Takhar e na capital do Paquistão, Islamabad. O cenário de violações de direitos humanos no Afeganistão tem sido amplamente condenado pelas Nações Unidas e por organizações internacionais de direitos humanos. Em julho de 2025, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de captura contra Hibatullah Akhundzada e Abdul Hakim Haqqani, o principal juiz do Talibã, por perseguição de género, um crime contra a humanidade. Esta ação do TPI sublinha a gravidade das violações e a busca por responsabilização internacional. As restrições impostas pelo Talibã vão além da educação e do emprego, abrangendo a liberdade de movimento e expressão. Relatórios indicam que mulheres são impedidas de viajar ou aceder a serviços sem um acompanhante masculino, e a proibição de salões de beleza e outras atividades económicas para mulheres exacerbou a crise económica e social. A exclusão de mulheres da formação em enfermagem e parteiras, por exemplo, agrava os já elevados índices de mortalidade materna no país. A comunidade internacional tem mantido um olhar atento sobre a situação, com especialistas da ONU a apelarem para que o regime do Talibã seja rejeitado e para que não haja normalização das suas práticas. A resiliência das mulheres afegãs na sua luta por direitos é notável, com protestos a ocorrerem apesar do risco de represálias. A comunidade internacional é instada a apoiar estes esforços, garantindo que a situação no Afeganistão permaneça na agenda global e que os direitos fundamentais sejam restaurados para todas as pessoas.
14 Visualizações
Fontes
Al Jazeera Online
Afghan women barred from Taliban takeover anniversary celebrations in Kabul
Afghanistan is starting its fifth year of Taliban rule. Here are 5 things to know
A timeline of events in Afghanistan in the four years since the Taliban's takeover
Statement of the ICC Office of the Prosecutor on the issuance of arrest warrants in the Situation in Afghanistan
Afghanistan: ICC Issues Arrest Warrants for Senior Taliban Leaders
Leia mais notícias sobre este tema:
Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.



