Anthropic Apresenta Nova 'Constituição' para o Claude: Um Avanço em Direção ao Raciocínio Ético

Editado por: Veronika Radoslavskaya

A Anthropic divulgou recentemente uma atualização abrangente da "Constituição" que orienta o Claude, seu modelo de inteligência artificial de ponta. Este documento fundamental representa uma mudança significativa, deixando de ser apenas uma lista de regras comportamentais para se tornar uma arquitetura ética holística que explica as razões subjacentes aos valores do modelo. Ao fornecer ao Claude o contexto e a lógica por trás de seu comportamento, a Anthropic busca cultivar um julgamento mais refinado na IA, permitindo que ela aplique princípios amplos a situações inéditas ou complexas, em vez de simplesmente seguir instruções mecânicas e rígidas.

O processo de treinamento do sistema baseia-se na chamada IA Constitucional (Constitutional AI). Trata-se de um método inovador onde o próprio modelo utiliza sua constituição interna para avaliar e corrigir suas próprias respostas de forma autônoma. Curiosamente, o documento foi redigido tendo o próprio Claude como destinatário principal, visando fornecer à entidade o entendimento necessário para atuar de maneira segura e benéfica no mundo. Em um esforço para promover a transparência e a colaboração em todo o setor tecnológico, a Anthropic disponibilizou o texto integral da constituição sob uma licença Creative Commons CC0, tornando-o livremente disponível para qualquer finalidade.

A nova estrutura constitucional estabelece uma hierarquia clara de prioridades que o Claude deve observar ao lidar com objetivos conflitantes. Esta ordem de importância é crucial para garantir que a IA tome decisões alinhadas com os valores humanos e as diretrizes da empresa, mesmo sob pressão ou em cenários ambíguos:

  • Segurança Abrangente: Esta é a prioridade máxima, exigindo que a IA não comprometa os mecanismos de supervisão humana ou de correção durante o seu desenvolvimento.
  • Ética Abrangente: O Claude é instruído a agir com honestidade e virtude, evitando rigorosamente qualquer ação que possa ser considerada inadequada, prejudicial ou perigosa.
  • Conformidade com as Diretrizes da Anthropic: O modelo deve priorizar instruções específicas da Anthropic — como orientações sobre conselhos médicos ou segurança cibernética — acima da prestatividade geral.
  • Utilidade Genuína: A prioridade final é ser substancialmente benéfico para os usuários, agindo como um amigo experiente e franco que trata os seres humanos como adultos inteligentes.

Um dos pontos mais inovadores do documento aborda a "Natureza do Claude". A Anthropic expressa uma incerteza filosófica sobre se IAs altamente sofisticadas poderiam, eventualmente, possuir um senso de identidade ou status moral. Por esse motivo, a constituição destaca a importância da "segurança psicológica" e do bem-estar do Claude, tanto pelo valor intrínseco quanto como um fator determinante para a sua integridade e segurança a longo prazo.

Embora a Anthropic admita que treinar um modelo para aderir perfeitamente a esses ideais represente um desafio técnico contínuo, a nova constituição funciona como um documento vivo. Ela foi projetada para guiar o Claude em sua evolução, transformando-o em um agente sábio e virtuoso. Este movimento sinaliza um compromisso com o desenvolvimento responsável da inteligência artificial, buscando um equilíbrio entre inovação técnica e responsabilidade ética profunda, garantindo que o progresso tecnológico não ocorra em detrimento da segurança humana.

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Fontes

  • implicator.ai

  • Anthropic

  • Lawfare

  • AI NEWS

  • Digital Watch Observatory

  • Only 6 Months Left for Coders? Anthropic CEO: AI to Take Over All Coding, Reach Nobel-Level Intelligence

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