Songzio x BTS: A Aliança que Redefine a Percepção Global da Moda Coreana
Autor: Katerina S.
Em 21 de março de 2026, a Praça Gwanghwamun, em Seul, tornou-se o epicentro de um evento histórico: o concerto de retorno do BTS. Este momento, aguardado fervorosamente pelos fãs por quase quatro anos, marcou não apenas o regresso do grupo aos palcos, mas uma nova era na estética visual do septeto. A apresentação transformou o espaço público em um cenário monumental, onde a música e a imagem se fundiram de forma absoluta.
SONGZIO 26FW DESFILE DE COLEÇÃO. PFW
Para o BTS, cada performance transcende a simples execução de canções; trata-se de um universo visual meticulosamente construído, um espetáculo onde cada detalhe é projetado para evocar emoções profundas. Nesse contexto, o figurino deixa de ser apenas uma vestimenta de palco e assume o papel de um instrumento dramatúrgico essencial. Para este retorno triunfal, essa ferramenta narrativa foi desenvolvida pela renomada marca coreana Songzio.
A trajetória da Songzio começou em 1993, fundada por Song Zio, e hoje mantém operações robustas entre Seul e Paris. Com presença em aproximadamente 120 lojas ao redor do mundo, incluindo butiques próprias nos grandes centros da moda, a marca consolidou uma estética que equilibra arte, arquitetura e expressividade cênica. Conhecida por suas silhuetas imponentes, cortes complexos e uma paleta sombria carregada de emoção, a Songzio cria uma moda que não apenas adorna o corpo, mas define o caráter do artista no palco.
O atual diretor criativo da marca é Song Jay, o filho do fundador de 30 anos, que assumiu o desafio de vestir não apenas os membros do BTS, mas também os 80 dançarinos, vocalistas e músicos que compuseram o espetáculo. Ele batizou a coleção de "Armadura Lírica", um conceito onde cada peça narra uma história específica para cada integrante:
- RM personifica o Herói, refletindo sua liderança.
- Jin assume o papel do Artista.
- Jimin é apresentado como o Poeta.
- Suga interpreta o Arquiteto.
- Jungkook representa a Vanguarda.
- J-Hope é o Sorigun, termo que designa o "homem do som".
- V é chamado de Doren, um conceito equivalente ao aristocrata europeu.
A eficácia desses trajes residiu na precisão com que capturaram os arquétipos e a energia individual de cada intérprete. Cada peça foi estruturada para que o público pudesse ler a identidade do artista instantaneamente, antes mesmo do primeiro movimento coreográfico. Embora houvesse uma unidade visual coesa para o grupo, cada membro manteve sua distinção como figura individual, com plasticidade e funções emocionais próprias dentro do coletivo.
A Songzio possui a rara habilidade de criar roupas que funcionam como objetos de arte estáticos, mas que revelam sua verdadeira essência através do movimento. No palco, elementos como assimetria, camadas sobrepostas e ombros estruturados ganham vida na dança e nos gestos bruscos. A vestimenta tornou-se uma extensão do corpo dos artistas, amplificando cada movimento para que fosse compreendido tanto por quem estava nos setores mais distantes da praça quanto pelas câmeras de transmissão em close-up.
Este projeto também carrega um forte peso cultural. Embora o BTS tenha colaborado anteriormente com gigantes europeias como Dior, Gucci e Louis Vuitton — como visto no Grammy de 2022 com designs de Virgil Abloh —, a escolha de uma marca nacional para o seu retorno é um manifesto sobre a identidade coreana. Song Jay admitiu que, no passado, suavizava as referências coreanas para o mercado global, mas para esta coleção, ele decidiu que tudo deveria ser puramente coreano. Esse processo de dois meses inspirou a marca a ser ainda mais audaciosa em demonstrar suas raízes nas próximas temporadas.
A colaboração entre Songzio e BTS demonstra que a moda sul-coreana não é mais uma versão local de tendências globais, mas sim uma fonte original de soluções estéticas. O design coreano agora se posiciona como uma força independente, capaz de oferecer não apenas um espetáculo visual, mas um significado cultural profundo. O mundo testemunhou não apenas figurinos de concerto, mas o poder da identidade nacional moldando o futuro da moda internacional.
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