Acúmulo de Bitcoin por grandes investidores impulsiona preço para a marca de US$ 75.000
Editado por: Yuliya Shumai
Em 15 de abril de 2026, o preço do Bitcoin se aproximou do patamar psicologicamente importante de US$ 75.000. Essa valorização foi impulsionada pela absorção agressiva do ativo por investidores conhecidos como "baleias", definidos como carteiras com saldo entre 1.000 e 10.000 BTC. Este aumento na atividade de compra marcou a reversão da tendência anterior de distribuição que vinha sendo registrada desde meados de março.
A empresa de análise Santiment registrou que, apenas no domingo anterior a essa data, os grandes detentores acumularam 27.652 BTC, o que equivale a mais de US$ 2 bilhões nas cotações atuais. Como resultado desse fluxo, a oferta total controlada por esse grupo atingiu a marca de 4,25 milhões de BTC, o nível mais alto para essa categoria desde meados de fevereiro.
Essa mudança macroeconômica no comportamento dos grandes players ocorre em meio a outros eventos significativos no mercado de ativos digitais. A rede Ethereum também registrou um aumento no número de grandes detentores, com a quantidade de carteiras que possuem pelo menos 100.000 ETH subindo de 54 para 57 na última semana. A Santiment interpreta o crescimento no número de grandes detentores de Ethereum como uma base para a continuidade do movimento de alta da segunda maior criptomoeda em capitalização. Entre os agentes institucionais que influenciam o mercado, destacam-se a Coinbase, a Binance e o ETF iShares Ethereum Trust, da BlackRock.
O cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, que continua sendo um dos maiores detentores individuais conhecidos, vendeu cerca de 17.196 ETH em 2026 como parte de seu plano de apoio ao desenvolvimento de código aberto.
A dinâmica do mercado também se alinha com eventos macrofinanceiros, especificamente o prazo final para declaração de impostos nos Estados Unidos em 15 de abril. Historicamente, esse período por vezes exerceu pressão sobre os preços do Bitcoin devido a possíveis vendas para cobrir obrigações fiscais sobre ganhos de capital. Segundo estimativas da CoinGecko, no ano passado, o intervalo entre 10 e 17 de abril pode ter visto vendas de criptomoedas totalizando até US$ 2,8 bilhões. No entanto, analistas como Matt Hougan, CIO da Bitwise, sugerem que, após a queda causada pelas vendas fiscais, os mercados podem ver uma recuperação, já que historicamente o capital reinvestido após 15 de abril impulsionou altas de 5% a 8% em duas semanas.
Em meio ao acúmulo de Bitcoin, que serviu de combustível para a subida rumo aos US$ 75.000, houve alta volatilidade provocada por liquidações. A ascensão do Bitcoin acima da marca de US$ 74.000 resultou na liquidação de posições totalizando US$ 527 milhões em 24 horas, sendo que as posições vendidas sofreram a maior parte das perdas, somando US$ 425,69 milhões. Isso evidencia o forte sentimento pessimista dos traders que apostavam na queda. Além disso, o mercado registrou uma entrada total de US$ 1,1 bilhão em produtos de investimento em cripto na semana encerrada em 11 de abril, sinalizando um renovado interesse institucional.
Analistas expressam cautela citando precedentes anteriores: a atividade de compra em fevereiro foi rapidamente substituída por uma fase de distribuição. Simultaneamente, fatores estruturais de longo prazo persistem: analistas da Bernstein afirmam que os riscos ligados à computação quântica já estão precificados no Bitcoin, apontando a queda desde o recorde de outubro de 2025, de US$ 126.198, como evidência de que múltiplos fatores de risco foram absorvidos. O mercado apresenta um cenário complexo, onde as ações de curto prazo dos grandes detentores e os fatores macroeconômicos se entrelaçam com mudanças estruturais de longo prazo na distribuição da oferta.
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Fontes
NewsBTC
TradingView
KuCoin
The Economic Times
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