Bitcoin recua abaixo de US$ 70.000 em meio a políticas rígidas do Fed e tensões geopolíticas

Editado por: Tatyana Hurynovich

Na quinta-feira, 19 de março de 2026, os mercados financeiros globais, incluindo o ecossistema de ativos digitais, enfrentaram uma onda de vendas expressiva. O Bitcoin (BTC) rompeu momentaneamente o suporte psicológico de 70.000 dólares, atingindo a marca de aproximadamente US$ 69.387,7 durante o pregão asiático. Esse movimento refletiu um sentimento generalizado de aversão ao risco que também castigou as bolsas de valores tradicionais. O índice japonês Nikkei 225, por exemplo, registrou uma queda acentuada de 3,4%, enquanto o Dow Jones Industrial Average encerrou o dia 18 de março em 46.225,15 pontos, estabelecendo uma nova mínima anual após recuar 1,63%.

O principal catalisador para essa retração nas criptomoedas foi a crescente incerteza macroeconômica, intensificada por desdobramentos geopolíticos críticos. Em 18 de março, o Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed) optou por manter a taxa de juros de referência no intervalo entre 3,5% e 3,75%. Simultaneamente, a autoridade monetária elevou sua projeção de inflação para o ano de 2026, passando de 2,4% para 2,7%. O presidente do Fed, Jerome Powell, enfatizou que o início do ciclo de cortes nas taxas será adiado até que haja uma confiança maior na trajetória descendente da inflação. Essa postura mais rígida, sustentada por dados inflacionários resilientes, empurrou as expectativas do mercado para uma possível flexibilização apenas em dezembro de 2026.

A pressão sobre os ativos de risco foi exacerbada pela escalada do conflito entre o Irã e Israel na região do Golfo Pérsico, após um ataque direcionado ao campo de gás iraniano South Pars. Esse evento provocou uma disparada imediata nos preços das commodities energéticas: o petróleo Brent ultrapassou brevemente a marca de US$ 119 por barril, enquanto os contratos futuros do WTI se aproximaram de US$ 97 por barril. Choques energéticos dessa magnitude são historicamente interpretados pelo Fed como riscos inflacionários graves, o que, segundo especialistas, reforça a necessidade de manter as taxas de juros em patamares elevados por um período mais prolongado.

Como consequência direta desses fatores, a liquidez no mercado de criptoativos sofreu uma contração devido ao fechamento forçado de posições alavancadas. Nas quatro horas que se seguiram ao anúncio do Fed, mais de US$ 158 milhões em posições compradas (longs) foram liquidados. Esse efeito cascata acelerou a desvalorização não apenas do Bitcoin, mas de outros ativos de grande capitalização:

  • O Ethereum (ETH) recuou cerca de 5,2%, sendo negociado a US$ 2.119,07.
  • O índice GMCI 30, que monitora as principais criptomoedas, registrou uma perda de 5,4%.
  • O Bitcoin apresentou uma queda total de 5% em um período de 24 horas, evidenciando sua sensibilidade a mudanças macroeconômicas, apesar do fluxo institucional constante via ETFs à vista.

Analistas de mercado concordam que o colapso foi motivado primordialmente por variáveis macroeconômicas e não por falhas intrínsecas ao setor cripto. A liquidação fez parte de uma fuga de capital mais ampla de ativos de risco, impulsionada pelo fortalecimento do dólar americano e pelo aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries), consequências diretas da política monetária restritiva do Fed. Com o Bitcoin operando mais de 43% abaixo de sua máxima histórica de US$ 124.700, alcançada em outubro de 2025, o mercado parece entrar em uma fase de volatilidade acentuada, onde as decisões dos bancos centrais e a estabilidade no Oriente Médio atuarão como os principais vetores de preço.

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Fontes

  • The Block

  • Investing.com

  • Al Jazeera

  • Trading Economics

  • The Economic Times

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